06 de agosto de 2026 (Bibliomed). Pesquisas anteriores associaram a detecção da doença de Alzheimer a certas condições oculares, incluindo degeneração macular relacionada à idade (DMRI) seca, catarata, glaucoma e atrofia cortical posterior.
Um estudo realizado no Cedars‑Sinai Medical Center, nos Estados Unidos, revelou que a bactéria Chlamydia pneumoniae, causadora de sinusite e pneumonia, pode permanecer no olho por muitos anos, aumentando potencialmente o risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer. Os autores sugerem que a presença prolongada da bactéria poderia desencadear processos inflamatórios crônicos na retina.
Para a pesquisa, foram analisados tecidos retinianos de 104 voluntários com diferentes estágios cognitivos, desde comprometimento cognitivo leve até Alzheimer avançado. Os investigadores empregaram imunohistoquímica para quantificar proteínas bacterianas, testes genéticos e imagens avançadas, além de sequenciamento genético para confirmar a identidade da Chlamydia pneumoniae.
Os resultados indicaram que as amostras de retina de pacientes com Alzheimer continham níveis significativamente maiores da bactéria em comparação com as de indivíduos cognitivamente saudáveis, diferença estatisticamente significativa (p < 0,05). Além disso, a carga bacteriana mostrava correlação forte com a gravidade do declínio cognitivo, evidenciando uma relação dose‑resposta.
Segundo os autores, a observação de uma relação dose‑resposta reforça a plausibilidade biológica de que a inflamação associada à infecção não está apenas presente, mas pode influenciar a gravidade da patologia. O estudo também destaca a retina como um local potencialmente acessível para detectar sinais inflamatórios relevantes ao cérebro, o que pode abrir caminhos para diagnóstico precoce da doença de Alzheimer.
Fonte: Terra Saúde
