Anos de aperto financeiro podem ter um efeito inesperado na memória

Quem convive por muito tempo com a preocupação de pagar contas, equilibrar o orçamento ou lidar com dificuldades para manter as despesas em dia sabe que esse tipo de estresse vai muito além da carteira. Mas será que essa pressão constante também pode deixar marcas na saúde do cérebro?

Uma pesquisa que acompanhou milhares de pessoas ao longo de décadas indica que a resposta pode ser sim.

Os resultados apontam que enfrentar dificuldades financeiras de forma persistente na vida adulta está associado a um desempenho inferior em testes de memória e de velocidade de raciocínio quando os indivíduos chegam à meia‑idade.

Os cientistas analisaram dados de quase 2.800 britânicos nascidos em 1946 e acompanhados desde o nascimento.

Ao longo da vida adulta, os participantes declararam sua renda e relataram se tinham problemas para cobrir despesas básicas. Aqueles que vivenciaram períodos prolongados de instabilidade financeira, sobretudo de forma repetida, apresentaram, em média, pior desempenho nos testes cognitivos.

Em termos práticos, essas pessoas demoravam mais para concluir tarefas que exigiam processamento de informações e lembravam menos palavras em exercícios de memória.

A situação financeira precária costuma coexistir com outros fatores que afetam a saúde, como estresse constante, ansiedade, noites mal dormidas, alimentação de menor qualidade e dificuldade de acesso a serviços de saúde, o que aumenta a sobrecarga do organismo e pode interferir no funcionamento cerebral.

Entretanto, a associação encontrada não significa que a dificuldade econômica cause demência. A saúde do cérebro também depende de genética, escolaridade, doenças cardiovasculares e hábitos de vida.

Durante muito tempo, a pesquisa sobre o cérebro focou principalmente em genética e envelhecimento, mas estudos como este mostram que o modo de vida, incluindo a estabilidade financeira, merece atenção.

Publicado na revista científica Innovation in Aging, o estudo amplia a compreensão sobre o envelhecimento cerebral e reforça que proteger a memória depende tanto de escolhas individuais quanto das condições em que as pessoas vivem.

Fonte: Terra Saúde

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