Acompanhamento de hábitos pode retardar efeitos do envelhecimento

Um estudo publicado no *The Journals of Gerontology* e realizado por pesquisadores da Universidade Wake Forest, nos Estados Unidos, concluiu que idosos que recebem acompanhamento sistemático para adotar hábitos saudáveis apresentam menor risco de fragilidade e de declínio cognitivo em comparação com aqueles que tentam mudar o estilo de vida por conta própria.

A pesquisa acompanhou, ao longo de dois anos, 2.100 participantes com idades entre 60 e 79 anos e risco de perda cognitiva. Metade dos voluntários integrou um programa estruturado, com consultas regulares e orientações sobre alimentação equilibrada, atividade física, estímulos cognitivos e participação em atividades sociais. O restante recebeu apenas recomendações gerais, cabendo a eles implementar as mudanças de forma autônoma.

Para mensurar o envelhecimento, os autores utilizaram um índice de fragilidade que combina habilidades físicas e mentais, abrangendo aspectos cognitivos, saúde mental, vitalidade, mobilidade, visão e audição. Os resultados mostraram que o grupo monitorado de perto teve melhor desempenho no índice de fragilidade e na performance cognitiva, além de apresentar saúde geral mais favorável.

“O estudo indica que, quanto maior o número de déficits nos diferentes domínios, maior a tendência de evoluir para o estado de fragilidade, muito mais do que a intensidade de um déficit isolado”, analisou o geriatra Clineu de Mello Almada Filho, do Einstein Hospital Israelita. “Um trabalho orientado por profissionais tem mais chance de promover aderência ao programa”, acrescentou.

Segundo Almada Filho, a principal barreira nessa fase da vida é sair da zona de conforto, pois “a mudança comportamental é difícil, principalmente após os 60 anos, e requer muita motivação”. Ele destacou que o reforço psicológico e motivacional oferecido por uma equipe especializada facilita a adoção dos novos hábitos, mas que a atitude e a determinação permanecem essenciais.

A pesquisa indica que, mesmo iniciando os cuidados após os 60 anos, é possível retardar o processo de envelhecimento, desde que haja avaliação médica completa que inclua dados clínicos, nutricionais, funcionais e psicossociais. “Sempre há tempo, mas quanto antes iniciarmos esses cuidados, menores serão o declínio e as incapacidades que poderemos desenvolver”, concluiu o médico do Einstein.

Fonte: Terra Saúde

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