Um vídeo gravado por câmeras de segurança de uma empresa em Itarana, no Espírito Santo, mostrou um funcionário virando a colega de trabalho de cabeça para baixo após ela se engasgar. A cena se espalhou nas redes sociais na última semana.
Na gravação, a mulher, identificada como Paloma Coan, 31 anos, aparece comendo um bolo. Poucos segundos depois, ela se engasga, pede ajuda ao colega ao lado e, imediatamente, ele a coloca de cabeça para baixo, sacode‑a e a vítima volta a respirar.
Especialistas consultados pelo Terra afirmam que a manobra utilizada, embora tenha funcionado no caso, não é recomendada por nenhuma diretriz nacional ou internacional. Virar a pessoa de cabeça para baixo pode representar risco à saúde.
Paulo Correia, coordenador do Pronto‑Socorro do Hospital Brasília, da Rede Américas, explica que a lógica de “usar a gravidade” não se aplica ao engasgo. “O objeto está na via aérea. O que realmente ajuda é o aumento da pressão torácica, que empurra o ar para fora”, disse.
O engasgo é considerado grave quando a vítima não fala, não tosse e não respira, apresentando sinais como agitação, lábios e face avermelhados e mãos no pescoço. Nessa situação, a técnica indicada é a manobra de Heimlich, que consiste em compressões abdominais firmes entre o umbigo e o estômago, realizadas repetidamente até a expulsão do objeto.
Mesmo quando a manobra tem sucesso, a pessoa deve ser avaliada por um médico, pois a compressão abdominal forte pode causar lesões internas, traqueais, faríngeas ou esofágicas. No vídeo, o deslocamento do conteúdo abdominal em direção ao diafragma sugere que o efeito obtido foi semelhante ao da manobra correta, mas de forma improvisada e não controlada.
Victor Cravo, coordenador dos hospitais Samaritano Barra e Vitória, também da Rede Américas, destaca que, em casos de obstrução leve, o ideal é incentivar a vítima a tossir enquanto se observa a evolução para um quadro mais grave. Ele reforça que a aplicação da manobra de Heimlich varia entre crianças e adultos e que o Samu deve ser acionado imediatamente.
Entre os riscos associados ao engasgo estão lesão cerebral irreversível, queda por perda de consciência e obstrução parcial ou total das vias aéreas. Paulo Correia orienta que quem faz barulho está respirando. Tosse forte, fala ou sons indicam obstrução parcial, devendo‑se estimular a tosse sem interferir. O sinal de gravidade é o silêncio.
Quando a vítima não consegue falar, tossir ou mover os lábios, a obstrução é total. Nesses casos, a recomendação é chamar o 192, iniciar a manobra de Heimlich e, se a pessoa desmaiar, deitá‑la no chão e iniciar compressões torácicas imediatamente.
Fonte: Terra Saúde
