O programa “CNN Sinais Vitais” recebeu os psiquiatras Guilherme Polanczyk, Camila Magalhães Silveira e o doutor Roberto Kalil para discutir os principais sinais de alerta de problemas de saúde mental em crianças, adolescentes e adultos.
Polanczyk, professor da Faculdade de Medicina da USP, afirmou que emoções como ansiedade, tristeza e angústia são parte da vida, mas que o sofrimento se torna patológico quando ultrapassa o limite do normal e impede a realização das atividades cotidianas, podendo indicar transtorno de ansiedade ou de humor.
Para o especialista, o sinal mais evidente é a mudança de padrão de comportamento: “Ele ou ela vinha de um jeito, se comportava de tal forma e, de repente, as coisas mudaram”.
Ele ressaltou que o diálogo entre pais, escola e o jovem é fundamental para compreender o que ocorre internamente e identificar a necessidade de ajuda profissional.
Camila Magalhães Silveira, psiquiatra do Hospital Sírio‑Libanês, comentou o uso do termo “epidemia” para descrever a exaustão constante que muitas pessoas relatam, preferindo “esgotamento” para definir a fadiga e a angústia sem exagerar.
A médica defendeu a mudança de lógica para reconhecer o que realmente é grave.
Silveira alertou para um efeito colateral do debate sobre saúde mental: a hiperidentificação das pessoas com diagnósticos, que pode levar à busca por medicamentos e tratamentos para melhorar o desempenho diário.
Embora o debate tenha contribuído para quebrar o estigma, ela destacou que o excesso de auto‑diagnóstico pode gerar intervenções desnecessárias.
A psiquiatra enfatizou a importância de observar mudanças de hábitos relacionadas ao uso de telas, sono, alimentação e expectativas de desempenho para identificar casos realmente graves.
Os especialistas concluíram que reconhecer os sinais precoces e manter comunicação aberta são essenciais para evitar a escalada de problemas de saúde mental.
Fonte: CNN Brasil Saúde
