Com o fim da fase de grupos e o início das eliminatórias da Copa do Mundo FIFA 2026 neste domingo (28), as decisões emocionantes, prorrogações e disputas de pênaltis passam a ser motivo de preocupação para o torcedor brasileiro.
A cardiologista da Casa de Saúde São José, Dra. Julianny Freitas, explica que situações como uma disputa de pênaltis ou um jogo muito emocionante podem fazer o organismo reagir como se estivesse diante de perigo iminente.
“O cérebro ativa o sistema nervoso simpático, provocando uma descarga intensa de adrenalina e noradrenalina”, afirma a médica. “Esses hormônios aumentam a frequência cardíaca, elevam a pressão arterial, intensificam a força de contração do coração e aumentam o consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco, além de tornar o sangue mais propenso à coagulação”.
Para a maioria das pessoas, a resposta se manifesta apenas com sintomas transitórios, como palpitações, suor frio, mãos geladas e sensação de frio na barriga.
Entretanto, em indivíduos com predisposição a problemas cardíacos, a mesma reação pode funcionar como gatilho para infarto, arritmias e até morte súbita.
A Dra. Freitas alerta que pacientes com doença coronariana, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca ou histórico prévio de arritmias devem redobrar a atenção aos episódios de estresse, inclusive durante partidas de futebol.
Mesmo pessoas aparentemente saudáveis podem sofrer eventos cardiovasculares caso tenham condições ainda não diagnosticadas, como doenças genéticas, alterações elétricas do coração ou doença coronariana silenciosa.
Existe ainda a síndrome de Takotsubo, conhecida como “síndrome do coração partido”, que pode ser desencadeada por emoções extremamente intensas e causar sintomas semelhantes aos de um infarto; a médica ressalta que esses casos são raros.
Entre os sinais de alerta, a especialista indica dor ou pressão no peito que persista por mais de alguns minutos, falta de ar significativa, desmaio ou perda de consciência, tontura intensa associada a palpitações, sensação de batimentos muito rápidos ou irregulares, sudorese intensa acompanhada de mal-estar, e dor irradiando para braço esquerdo, mandíbula, costas ou pescoço.
Além do estresse da partida, o ritual típico de assistir aos jogos – churrasco, consumo de bebidas alcoólicas, energéticos ou tabagismo – pode potencializar o risco cardiovascular, sobrecarregando o organismo simultaneamente.
Para reduzir a probabilidade de complicações, a médica recomenda manter as medicações em dia, evitar exageros no consumo de álcool e nunca misturá-lo com energéticos, abster-se de cigarros tradicionais e eletrônicos, manter boa hidratação, garantir sono adequado, não ignorar sintomas como dor no peito, falta de ar, desmaios ou palpitações, e manter acompanhamento regular com um cardiologista.
A maioria dos torcedores, segundo a Dra. Freitas, experimentará apenas as emoções naturais do esporte, sem consequências clínicas relevantes.
Fonte: CNN Brasil Saúde
