Dez anos após vencer melanoma, paciente ainda vive com medo da doença

Carolina Xavier, social media de 29 anos, percebeu que uma pinta acima do seio direito começou a crescer, escurecer e coçar. Ela achou que seria apenas mais uma lesão de pele a ser retirada, como já havia acontecido antes.

Ao consultar a dermatologista, a médica retirou um pequeno fragmento da lesão para biópsia e anotou a palavra “urgente” no pedido de exame. Dias depois, Carolina recebeu o resultado sozinha.

Ao ler o termo “melanoma maligno” no papel, ela descreve que entrou em choque, como se o chão se abrisse sob seus pés. Nos primeiros momentos, a sensação de desespero predominou, embora tenha tentado retomar o trabalho e seguir a rotina no automático.

Nas semanas seguintes, a rotina mudou: novas consultas, exames complementares e a cirurgia para retirar a lesão com margem de segurança. O maior receio era descobrir que o melanoma já havia atingido linfonodos ou outros órgãos, mas os exames mostraram que a doença permanecia restrita à pele, aumentando as chances de cura.

Mesmo com o quadro limitado, o medo não desapareceu. “Os primeiros cinco anos foram muito intensos. A cada exame vinha a ansiedade pelo resultado”, relata Carolina, que também ficava apreensiva ao observar outras pintas.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública mundial e uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por isso, a detecção precoce eleva significativamente as chances de recuperação.

A dermatologista Adriana Rochetto, do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, afirma que o medo de recorrência é comum entre pacientes que tiveram melanoma. Cerca de 80 % das recidivas ocorrem nos três primeiros anos após o tratamento, o que exige vigilância mais frequente nesse período. Depois desse intervalo, muitos pacientes passam a fazer consultas anuais, mas o acompanhamento costuma ser mantido por toda a vida.

Do ponto de vista emocional, conviver com o medo do retorno da doença pode ser bastante pesado, segundo a especialista. O acompanhamento contínuo inclui exames de sangue, raio‑X, ultrassonografia e, no caso de Carolina, um mapeamento corporal por dermatoscopia digital, que registra fotografias das pintas para comparar alterações ao longo do tempo.

O oncologista de Carolina costuma brincar que o tratamento será “um casamento para o resto da vida”. Ela tenta encarar os exames com tranquilidade, mas admite que a ansiedade aparece nos dias que antecedem as consultas. Quando o resultado é positivo, ela e o marido celebram em algum restaurante.

Antes do diagnóstico, Carolina tomava sol por longos períodos, quase nunca usava protetor solar e buscava a “marquinha de biquíni”. Hoje

Fonte: Metrópoles Saúde

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