O excesso de álcool nas comemorações pode transformar o dia seguinte em uma combinação de dor de cabeça, boca seca, náusea, fadiga e mal-estar. Embora a ressaca seja uma experiência comum, especialistas explicam que ela resulta de vários efeitos provocados pela bebida no organismo, incluindo desidratação, inflamação, irritação do sistema digestivo e alterações no sono.
Segundo profissionais da área da saúde ouvidos pelo G1, o álcool é metabolizado pelo fígado e gera substâncias que contribuem para os sintomas da ressaca. Além disso, a bebida aumenta a eliminação de líquidos pelo organismo, favorecendo a desidratação, uma das principais responsáveis pela sede excessiva, tontura e dor de cabeça.
Os especialistas explicam que a ressaca não acontece apenas pela presença do álcool no sangue. Mesmo após sua eliminação, o organismo continua lidando com processos inflamatórios e alterações metabólicas que podem prolongar o desconforto por várias horas.
Outro fator importante é o impacto da bebida sobre o sistema digestivo. O consumo excessivo pode irritar o estômago e o intestino, favorecendo episódios de náusea, desconforto abdominal e refluxo. A qualidade do sono também costuma ser prejudicada, o que contribui para o cansaço, a irritabilidade e a sensação de esgotamento no dia seguinte.
Nem todas as pessoas sofrem da mesma forma após beber. Diferenças genéticas, condições do fígado, uso de medicamentos e características individuais influenciam a velocidade com que o organismo metaboliza o álcool. Por isso, duas pessoas que consomem quantidades semelhantes podem apresentar sintomas bastante diferentes.
O tipo de bebida também pode interferir na intensidade da ressaca. Algumas contêm maiores quantidades de substâncias produzidas durante os processos de fermentação e envelhecimento, o que pode aumentar o desconforto em determinadas pessoas. Ainda assim, os especialistas destacam que a quantidade ingerida continua sendo o principal fator para determinar a gravidade dos sintomas.
A recuperação varia de acordo com o organismo e os hábitos de cada pessoa. Em geral, o fígado consegue metabolizar apenas uma quantidade limitada de álcool por hora, enquanto os efeitos sobre o sono e a inflamação podem persistir por até um dia após o consumo.
Para amenizar os sintomas, a principal recomendação é investir na hidratação. Água, água de coco, isotônicos e outras bebidas capazes de repor líquidos e eletrólitos podem ajudar na recuperação. Alimentação leve, com frutas, caldos, vegetais e proteínas magras, também contribui para o restabelecimento do organismo.
Os especialistas ressaltam ainda que comer antes de consumir bebidas alcoólicas ajuda a reduzir a velocidade de absorção do álcool, diminuindo parte dos seus efeitos.
Já o uso de medicamentos exige cautela. O paracetamol deve ser evitado após consumo excessivo de álcool devido ao risco de sobrecarga do fígado. Anti-inflamatórios também podem aumentar a irritação do estômago e elevar o risco de gastrite e sangramentos, especialmente em pessoas desidratadas.
A orientação é evitar a automedicação e priorizar repouso, alimentação adequada e hidratação. Caso os sintomas sejam intensos, persistentes ou acompanhados de sinais como vômitos contínuos, confusão mental, dor intensa, sangramentos ou palpitações, a recomendação é procurar atendimento médico.
Fonte: G1 Saúde
