Medicamentos utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida), estão sendo estudados por pesquisadores devido a possíveis efeitos positivos sobre a saúde cerebral.
Além do controle da glicemia e da perda de peso, estudos recentes investigam se os chamados agonistas do receptor GLP-1 podem contribuir para a redução da neuroinflamação e para a proteção de funções cognitivas.
Segundo pesquisas citadas pela CNN Brasil, o cérebro possui receptores de GLP-1 em áreas ligadas à memória e ao controle metabólico, como o hipocampo e o hipotálamo. A hipótese é que esses medicamentos possam ajudar a reduzir processos inflamatórios associados a doenças neurodegenerativas.
Alguns estudos sugerem que a tirzepatida pode estar associada a menor risco de comprometimento cognitivo leve e demência quando comparada à semaglutida. Os resultados, porém, ainda são considerados preliminares.
Por outro lado, pesquisas clínicas com a semaglutida não demonstraram redução estatisticamente significativa da progressão do Alzheimer em estágio inicial, embora tenham apontado melhora em alguns biomarcadores relacionados à doença.
Especialistas ressaltam que grande parte das evidências disponíveis ainda vem de estudos observacionais ou realizados em animais, o que exige cautela na interpretação dos resultados.
Também permanece em debate se os possíveis benefícios observados decorrem de uma ação direta dos medicamentos sobre o cérebro ou se estão relacionados à melhora metabólica e à perda de peso proporcionadas pelos tratamentos.
Diante das incertezas, a recomendação é que o uso desses medicamentos continue sendo acompanhado por profissionais de saúde, especialmente em pacientes com histórico de doenças neurológicas ou psiquiátricas.
Fonte: CNN Brasil
