A campanha presidencial de 2026 tem início neste domingo, 16, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) lançam estratégias distintas nas ruas e nas redes para definir o tom da disputa.
Lula apostará no legado de seu governo e na defesa dos interesses nacionais, apresentando-se como alternativa ao bolsonarismo que marcou a última gestão.
Flávio, por sua vez, buscará retratar o petista como um projeto esgotado, explorar suspeitas de corrupção que circundam o Planalto e ampliar sua candidatura para além da base bolsonarista, sem radicalizar o discurso.
A estreia do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, prevista para 28 de agosto, será o primeiro teste das regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o uso de inteligência artificial, em meio a dúvidas sobre até onde as campanhas poderão recorrer à tecnologia e sobre a capacidade da Justiça Eleitoral de fazer cumprir as normas.
Nesse cenário, a equipe de Lula acompanha com apreensão a condução recente do TSE, enquanto a de Flávio teme que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) produzam efeitos sobre a disputa.
A partir de domingo, a legislação permite a propaganda eleitoral propriamente dita, com pedidos explícitos de voto nas redes, comícios, caminhadas, carreatas, distribuição de material e propaganda paga impulsionada na internet.
A campanha de Lula pretende explorar vulnerabilidades de Flávio, como o caso das rachadinhas em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a compra de uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília, as nomeações de familiares de um ex‑PM apontado como miliciano e as mensagens do caso Master que ligam o senador a recursos para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Segundo integrantes da equipe, o presidente demonstra resistência ao uso de conteúdos sintéticos. A orientação inicial privilegia imagens reais, embora o conteúdo nas redes seja recalibrado de acordo com a ofensiva de Flávio, em dinâmica comparada a uma luta de boxe, na qual se observa o movimento do adversário antes de atacar ou reforçar a defesa.
Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT, afirma que a campanha será “de alto nível, propositiva, baseada na verdade e no uso ético das ferramentas digitais e tecnológicas”.
Lula abrirá oficialmente a campanha no Estádio Municipal 1º de Maio, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo, local histórico de sua trajetória sindical. O roteiro inclui comícios em Belo Horizonte na sexta‑feira, 21, ao lado de Patrus Ananias, e em Bangu, zona oeste do Rio, no sábado, 22, além de uma estratégia especial para São Paulo, que divide atuação entre capital, região metropolitana e interior.
Do lado de Flávio, a pré‑campanha coordenada por Rogério Marinho (PL‑RN) argumentará que a tentativa de Lula de conquistar um quarto mandato, mais de duas décadas após sua primeira eleição, não oferece novidades ao eleitor, destacando investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a presença de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, alvo de inquérito no STF. A equipe busca combinar ataques ao adversário com a construção de uma imagem mais moderada, evitando a radicalização que poderia limitar o alcance ao eleitorado indeciso.
A ofensiva também contará com peças nas redes sociais voltadas ao eleitorado feminino, segmento em que Flávio aparece dez pontos percentuais atrás de Lula, segundo a pesquisa Datafolha mais recente. Para ampliar a candidatura, a campanha mobilizará a ex‑primeira‑dama Michelle Bolsonaro e lideranças femininas de outros partidos, formando um “palanque feminino suprapartidário”. Flávio abrirá a campanha com ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, local simbólico de mobilização bolsonarista, enquanto sua equipe jurídica observa a atuação do TSE presidido por Kassio Nunes Marques e teme que controvérsias constitucionais cheguem ao STF, afetando a disputa.
Fonte: Estadão Política
