Vacina contra a gripe: Brasil não atingiu 50% do público-alvo


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Vacina contra a gripe
LuAnn Hunt/Pixabay

Vacina contra a gripe

Embora o inverno tenha início nesta terça-feira, período que é mais propenso para a circulação de vírus respiratórios, a cobertura vacinal contra a gripe não atingiu nem 50% do público-alvo no Brasil. Segundo dados da plataforma LocalizaSUS, do Ministério da Saúde, entre os mais atrasados estão as gestantes e puérperas, com menos de 35% do grupo vacinado, e as crianças de até 5 anos, com menos de 45%.

O cenário preocupa uma vez que os grupos considerados de maior risco para a doença, e que portanto são priorizados na campanha de vacinação, estão mais suscetíveis a formas graves caso sejam infectados, explica o infectologista Estevão Urbano, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI).

“A gripe nesses grupos de risco pode provocar quadros severos e eventualmente fatais, que são prevenidos com a vacina. Além disso, ela reduz o contágio para outras pessoas, então trata-se de uma proteção individual e coletiva. Nesses grupos ela de fato salva vidas, os números de mortes anuais pela gripe estão diretamente relacionados à não vacinação”, alerta o especialista.

A situação é ainda mais delicada com as baixas temperaturas, que levam ao acúmulo de pessoas em locais fechados e o consequente aumento nos casos de doenças respiratórias.

“Nós temos uma sazonalidade bem clara nos vírus respiratórios, com um aumento de circulação nesses meses mais frios. Então é fundamental que as pessoas atrasadas procurem se vacinar o quanto antes. A campanha começa no início do ano justamente para que nesses meses as pessoas já estejam protegidas”, explica o infectologista André Giglio Bueno, do Hospital PUC Campinas, em São Paulo.

No total, o público-alvo da vacinação contra o vírus Influenza, causador da gripe, envolve 77,9 milhões de brasileiros considerados em maior risco de contrair a doença, porém apenas cerca de 35 milhões foram imunizados – 45%.

Em relação apenas aos grupos considerados prioritários, que somam 54,8 milhões de pessoas, a cobertura nesta terça-feira está mais alta, em 52,3%. São eles idosos, trabalhadores da saúde, gestantes, puérperas, indígenas, professores e crianças.

Porém, a população-alvo da campanha inclui ainda mais 23,2 milhões de brasileiros, como pessoas com comorbidades e deficiências, motoristas de transporte coletivo, pessoas privadas de liberdade, forças armadas, entre outros. Nestes públicos, apenas cerca de 4,3 milhões foram vacinados – 18,6%.

Cobertura vacinal contra a gripe em 2022

“É muito importante que todos os brasileiros que fazem parte dos grupos prioritários procurem um posto de vacinação. Ano passado, tivemos um surto em várias regiões do País por conta da cepa H3N2. A vacina deste ano já protege contra essa e as cepas passadas. Precisamos combater essas doenças. A vacinação vai impedir a proliferação dos vírus e evitar que tenhamos maior pressão sobre o sistema de saúde”, alertou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em comunicado.

Os percentuais de cobertura, no entanto, estão longe do ideal para garantir uma proteção coletiva destes grupos contra a doença, que deveria chegar a pelo menos 90% segundo a meta preconizada pelo Ministério da Saúde. E o motivo não é falta de vacina – ao todo, a pasta já distribuiu cerca de 80 milhões de doses aos estados, o suficiente para contemplar toda a população-alvo.

“Um dos principais motivos pode ser o protagonismo da Covid-19, que leva a uma negligência de outras doenças. Como a Covid ocupa a maior parte das comunicações de saúde no contexto atual, acaba ficando difícil fazer uma divulgação em massa de outros problemas. Acho que isso é o principal, porque o interesse pela vacina é algo cultural nosso”, afirma o infectologista do Hospital PUC Campinas.

Fonte: IG SAÚDE

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