Sindicato encontra falhas graves em obras inacabadas na Saúde do Estado

Instalações precárias, infiltrações, equipamentos quebrados ou até mesmo a falta de aparelhos essenciais para atender os pacientes, bem como, a falta de profissionais médicos são os principais problemas detectados pelos Diretores do Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC), em fiscalização realizada nos hospitais de Sena Madureira, Manoel Urbano, Feijó, Tarauacá, Rodrigues Alves, Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul. Um relatório será encaminhado para a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), Conselho Regional de Medicina (CRM) e Ministério Público Estadual (MPE).

Em Sena Madureira, a estrutura do Hospital João Câncio Fernandes vem se deteriorando ao longo de vários anos, e o novo prédio, que deveria ter sido entregue no primeiro semestre de 2021, continua com as obras paralisadas. No local, existem duas placas de obras diferentes: uma apontando uma suposta reforma nas instalações antigas que parece nunca ter iniciado, custando mais de R$ 1,6 milhão, e outra observando gasto de mais de R$ 6,8 milhões desperdiçados em um prédio inacabado que deveria estar funcionando, justamente ao lado do MPE.

“As placas não mostram a data de início das obras, o que, por lei, deveria constar, o que torna a situação ainda mais obscura, por isso existe grande importância de uma investigação”, detalhou o primeiro-secretário do Sindmed-AC, Gilson Lima.

Em Manoel Urbano, na Unidade Mista não existe extintor de incêndio, cilindros de oxigênio são armazenados em área interna da unidade de saúde, confinados em sala fechada, situação irregular pelas normas técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Corpo de Bombeiros. O autoclave da unidade, segundo relatos de servidores, está sempre com defeito, e o único aparelho que funciona é pequeno e é emprestado da prefeitura.

Em Feijó, o prédio do Hospital Geral continua deteriorado, com a existência de animais no forro e apresentando infiltrações no teto e vazamento na caixa de esgotamento sanitário. Mais uma denúncia considerada grave por parte dos trabalhadores da unidade é a possibilidade de vazamento de radiação do raio-x devido a falta de uma porta com revestimento adequado, bem como, a camada de barita, que serve para impedir a passagem da radiação, tem possível espessura inapropriada.

Na Maternidade Ethel Muriel Guedes, de Tarauacá, onde são realizados procedimentos cirúrgicos nas gestantes, não existe anestesista, tendo o médico que anestesiar e operar a paciente ao mesmo tendo, fazendo com que haja risco de morte e complicações para a gestante e para o recém-nascido. Também foi verificado que o sonar (aparelho usado para ouvir os batimentos do coração do feto) apresenta falhas, podendo ocasionar risco de sofrimento ou morte para os bebês. O Hospital Sansão Gomes, do mesmo município, também está funcionando sem o aparelho de eletrocardiograma e possui apenas um respirador portátil.

Na Maternidade de Cruzeiro do Sul, apresenta problema no funcionamento do foco usado para cirurgias ginecológicas e obstétricas, aumentando o risco de complicações para as pacientes operadas e para os recém-nascidos. Os profissionais ainda reclamaram da falta de qualidade das pinças cirúrgicas que não funcionam adequadamente por estarem gastas e também dos fios inapropriados para as suturas das pacientes durante os procedimentos operatórios, podendo causar complicações e sequelas nas pacientes.

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da segunda maior cidade do estado, existe completa falta de segurança, um flagrante demonstra que a sala de “guarda de cadáveres” apresenta passagem livre da rua para dentro da unidade, sem qualquer controle no acesso de pessoas, algo que compromete a segurança e integridade física dos profissionais que lá trabalham e dos próprios pacientes que são atendidos.

“Todos os hospitais apresentaram falhas, incluindo a quantidade de médicos insuficientes para o fechamento das escalas, repouso instalado em locais insalubres, a falta de equipamentos e de medicamentos, dificultando o atendimento da população”, protestou o diretor sindical Antônio Lisboa.

Ainda foi possível verificar a falta de repouso médico na Unidade Mista de Rodrigues Alves, local em que os médicos foram acomodados em ambiente insalubre, no almoxarifado, local repleto de baratas e carapanãs, sem qualquer preservação de suas intimidades e integridade física. Uma situação semelhante também foi encontrada em Manoel Urbano, em que o repouso foi instalado em local irregular.

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