Rodrigo Farias escreve: Neymar, ídolo mundial ou adolescente mimado?

Ele entrou no quinto andar, estava com cara de apressado e nem notou minha presença. Pensei em dar-lhe um aceno com a cabeça ou mesmo um “bom dia”. Desisti. Adolescente, via de regra, não curte muito contato com adultos. Mas a camisa do Paris Saint-Germain, com o nome do Neymar nas costas, me levou a outro adolescente: meu filho. Também fã do craque.

Certa feita, disse a ele que o Neymar, na minha opinião, é o maior craque em atividade no futebol brasileiro. Contudo, eu não o achava um ídolo nacional. Que algo nele ou em seu comportamento extracampo me incomodava bastante, mas não sabia dizer exatamente o quê. Neste dia percebi, nitidamente, os olhos do meu guri me condenando e rebaixando a um velho bobo e careta.

– O Neymar é o maior driblador do futebol mundial, artilheiro do Paris Saint-Germain, vai superar os gols do Pelé pela seleção brasileira… Como você tem coragem de dizer que ele não é o maior ídolo do Brasil na atualidade? – perguntou.

Na Bíblia iremos encontrar a palavra ídolo, normalmente apontando para objetos que eram adorados, representando as divindades ou os deuses. O dicionário nos define ídolo como “celebridade por quem se tem grande admiração ou a quem se ama apaixonadamente”.

Indiscutivelmente, de ser adorado como divindade, o craque está muito longe. Fiquei a me questionar: o que o “menino” da Baixada Santista representa para este país?

O que ele representa para você?

Quando ainda despontava pelo Santos Futebol Clube, nos idos de 2010, aos 17 anos de idade, em um dos seus incontáveis faniquitos, o “menino Ney” discutiu com companheiros de equipe e com o técnico do seu time, Dorival Júnior. O técnico do Atlético Goianiense – adversário do Santos – Renê Simões, disse na entrevista coletiva após o jogo:

“Tenho muitos anos de futebol e poucas vezes vi alguém tão mal educado esportivamente como esse Neymar. Tá na hora de alguém educar esse rapaz ou nós vamos criar um monstro no futebol brasileiro”.

Alguém conseguiu impor limites ao agora “adulto Ney”? Criamos um monstro?

Em outra ocasião, já um astro internacional, o jogador agrediu um torcedor com um soco no rosto, ao final da partida em que seu time perdeu nos pênaltis a Copa da França para o Rennes.

“Não tenho sangue de barata!” Essa foi a resposta que o brasileiro deu aos jornalistas logo a após o lamentável episódio.

José Valdano, campeão mundial pela Argentina em 1986, conhecido em seu país como “filósofo”, por ter opiniões sensatas, disse que, “mesmo passando o tempo, Neymar não terminou de dar o último passo. Ele tem 14 formas diferentes de dar o mesmo drible, mas ainda tem uma coisa adolescente e isso não o permite chegar ao nível dos grandes de fato”.

O ex-jogador argentino está certo? Neymar é um adolescente aos 29 anos de idade? Ou será que meu filho está correto, quando afirma que o craque é o maior ídolo brasileiro na atualidade?

Será que não se faz mais ídolo como antigamente? Ou apenas envelhecemos e nos tornamos chatos e rabugentos?

Rodrigo Farias é autor do livro “Vem comigo… no caminho eu explico” e apresenta o programa Noite Afora, da Rádio Gazeta FM

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