A disparada do dólar vem dominando as atenções do mercado e do governo federal. Nesta quarta-feira (18/12), a moeda americana atingiu um novo recorde histórico, encerrando o dia cotada a R$ 6,26, um salto de 1,55% em relação à abertura. Apesar das tentativas do Banco Central (BC) de segurar a alta, com leilões e injeção de dólares, o cenário permanece instável e preocupante.
A crise cambial é impulsionada por fatores internos e externos. No Brasil, o governo enfrenta dificuldades para aprovar no Congresso um pacote fiscal de contenção de gastos, enquanto no exterior crescem as incertezas sobre as políticas econômicas do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa combinação explosiva alimenta a volatilidade e o pessimismo no mercado.
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, reforçou que o governo está empenhado em concluir a votação do pacote fiscal ainda neste ano. Ele destacou a importância das medidas de contenção de despesas para controlar a inflação e trazer previsibilidade à economia. “Estamos redobrando a confiança de que o Congresso Nacional concluirá a votação dos instrumentos que consolidam o marco fiscal”, afirmou.
Mesmo com o esforço político, a aprovação das medidas, que prometem economizar R$ 70,5 bilhões em dois anos, ainda é incerta. A falta de consenso no Congresso eleva o clima de desconfiança no mercado, minimizando os impactos das ações do BC. Entre os dias 12 e 17 de dezembro, o BC injetou US$ 12,8 bilhões no mercado e anunciou um novo leilão de US$ 3 bilhões para esta quinta-feira (19/12).
Para o economista Bruno Fleury, a principal causa da disparada do dólar é o descrédito do mercado em relação ao pacote fiscal. “A desconfiança é tal que o Banco Central pode continuar despejando dólares que não vai mudar o humor do mercado. Quem sabe, depois que os pacotes forem aprovados no Congresso, o mercado se acalme um pouco. Mas a perspectiva não é boa”, avaliou.
O vice-presidente Geraldo Alckmin tentou tranquilizar os ânimos, afirmando que a aprovação das medidas do governo deve trazer o dólar de volta ao “patamar natural”. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também destacou a possibilidade de ataques especulativos aproveitando as incertezas. Segundo ele, a Fazenda monitora os fundamentos econômicos, enquanto BC e Tesouro atuam para conter movimentos especulativos.
Nesta quinta-feira (19/12), o mercado voltou a viver momentos de volatilidade. Após atingir um novo pico de R$ 6,30 pela manhã, o dólar recuou para R$ 6,17, com queda de 1,55%, por volta das 11h30. A desvalorização ocorreu após o BC realizar mais um leilão de dólares no mercado à vista. Apesar do alívio momentâneo, a situação continua desafiadora e reforça a urgência de medidas estruturais para estabilizar a economia.
Com informações do Metrópoles