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Conselho para Cameli: contrate um escravo romano, governador!

Um amigo me relata as recentes dificuldades para falar com o governador Gladson Cameli. Não foi o primeiro. E certamente não será o último.

Antes dele, um vereador do interior do estado já me havia contado ter se deslocado à capital para uma audiência no Palácio Rio Branco. Após longa e exaustiva viagem pela BR-364, esperou quase três horas na antessala do gabinete até que foi informado que não seria recebido. Voltou pra casa furioso com a desfeita.

O exemplo de Cameli parece ter contagiado seus secretários. Raros são aqueles que atendem ao telefone. Conversar com alguns é ainda mais difícil que ter uma audiência com o chefe.  

Sei que o mandatário maior do Acre não está disponível o tempo todo; que são muitas as suas atribuições; que as urgências da pandemia exigem esforços redobrados.

Mas a questão é outra. O governador, conforme o primeiro relato, teria sido blindado por assessores ciumentos. Gente possessiva, a formar um corredor polonês cuja travessia é tarefa quase impossível.   

Essa prática não é nenhuma novidade. Todos os governos anteriores tiveram pessoas dessa estirpe, e elas continuarão a existir quando a caneta de Gladson já não possuir mais o poder de alçar às alturas ou rebaixar ao chão. Apenas serão outros os nomes nos decretos.

Até lá, porém, serão eles – os sabujos de agora – a darem o tom nos corredores do poder.

Ocorre que gente louvaminheira não consegue dar notícia ruim. A receita, por sinal, foi ensinada por um assessor do ex-governador Tião Viana.

Incapazes de contar a verdade, os aduladores da vez acabam enchendo os ouvidos do chefe com versões edulcoradas. Se a saúde, a segurança, as finanças e o diabo a quatro vão mal, lá estão eles para dizer o contrário. E se o governo é desaprovado pelo povo, tratam logo de reforçar a aprovação a tudo o que diz e faz o gestor-mor.   

Meu conselho a Gladson é que ele contrate, com urgência, um escravo romano. Explico.

Na época do Império Romano, os generais voltavam das batalhas para ser recebidos em Roma com grandiosas homenagens da população.

Eles entravam na cidade numa biga (aquele carro de combate com dois cavalos, conduzida por um escravo) e percorriam um longo caminho até o Senado, enquanto recebiam a aclamação geral.

Na biga, com o general, ia um segundo escravo, este encarregado de (a cada 500 metros) aproximar-se do seu ouvido para dizer:

“Lembra-te que és mortal”.

Nomeia, governador!

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