Durante visita à Casa de Migrantes, em Rio Branco, nesta segunda-feira (5), o prefeito Tião Bocalom comentou a crise política, econômica e social da Venezuela, criticou o comunismo e afirmou que a Prefeitura tem arcado praticamente sozinha com o atendimento humanitário a refugiados venezuelanos que passam pelo Acre.
Segundo o prefeito, mais de 8 milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos dez anos, parte deles cruzando a fronteira pelo Norte do Brasil. Somente em 2026, de acordo com a gestão municipal, mais de 2.100 venezuelanos já foram atendidos pela estrutura de acolhimento mantida pela Prefeitura de Rio Branco.
“É uma tristeza saber que, em alguns lugares do mundo, o comunismo ainda consegue expulsar pessoas, famílias nascidas no seu próprio país. Vimos agora, neste fim de semana, a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, que alegrou o coração desses venezuelanos que deixaram o país”, afirmou Bocalom.
O prefeito disse que muitos dos migrantes atendidos são idosos e pessoas com limitações físicas. Durante a visita, ele citou o caso de uma mulher cadeirante que teria deixado a Venezuela já nessa condição e que atualmente passa por Rio Branco com a esperança de retornar ao país de origem.
“A esperança deles é voltar para casa. Todo mundo quer retornar para o seu país. É lá que estão seus parentes, é lá que eles pretendiam viver o resto da vida”, disse.
Bocalom também voltou a criticar a ausência de apoio federal no atendimento aos refugiados. Segundo ele, a responsabilidade pelo acolhimento deveria ser assumida pelo Governo Federal, mas tem recaído sobre os municípios da região.
“Apesar de não termos tido todo o apoio do Governo Federal — que deveria bancar essa ação —, a Prefeitura de Rio Branco tem sustentado esse trabalho. As prefeituras de Assis Brasil, Brasiléia e Epitaciolândia também têm dado suporte”, afirmou.
Na avaliação do prefeito, a crise venezuelana tem relação direta com a mudança do modelo político no país. Ele afirmou acreditar que o cenário atual pode permitir o retorno de parte dos refugiados.
“Tomara Deus que a democracia se reinstale na Venezuela. Um país que há 50 anos era a quarta maior economia do mundo, riquíssimo, mas que, com a mudança do modelo político, entrou o comunismo e aconteceu essa tragédia de pessoas terem que deixar seu país”, declarou.
Atualmente, a Casa de Migrantes mantida pela Prefeitura de Rio Branco, no bairro do Bosque, abriga 65 pessoas, das quais 54 são venezuelanos. O local recebe refugiados de diferentes nacionalidades que utilizam a capital acreana como ponto de passagem ou acolhimento temporário.
