O Banco Central (BC) está preparando um conjunto de medidas regulatórias para reduzir os riscos financeiros e conter o endividamento das famílias brasileiras, depois que o comprometimento de renda atingiu o maior nível da série histórica.
A ata da 66ª reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) foi divulgada nesta quarta-feira (2) e trouxe as informações sobre o plano.
O comitê ressaltou a necessidade de cautela e diligência adicionais em um cenário em que o endividamento e a materialização de riscos permanecem elevados.
O endividamento das famílias continua em patamar historicamente alto, agravado pelo comprometimento de renda que chegou a 82% em julho, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), marcando o maior nível da série histórica pelo sexto mês consecutivo.
A pressão sobre o orçamento dos consumidores provém, sobretudo, da participação relevante de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida familiar.
Embora o crescimento do crédito bancário para pessoas físicas tenha desacelerado nas modalidades de maior risco, o Banco Central apontou que essa redução não foi suficiente para diminuir o peso dessas linhas caras no comprometimento de renda.
Na ata, o Banco Central informou que já está elaborando medidas específicas para o mercado de crédito, com o objetivo de promover o reconhecimento dos riscos pelas instituições financeiras, forçar o acúmulo gradual de capital regulatório e estimular condições mais sustentáveis para a oferta de crédito.
Enquanto as novas regras são desenhadas, o comitê decidiu manter o Adicional de Capital Contracíclico (ACCPBrasil) em 0%, considerando as condições financeiras vigentes e as expectativas para o mercado de crédito.
O aperto financeiro também afeta as empresas: o crédito a micro, pequenas e médias empresas desacelerou, e, embora a maioria das companhias ainda demonstre resiliência, o Banco Central observou queda no número de empresas com lucro líquido crescente e aumento daquelas com despesa financeira líquida maior, indicando que ativos problemáticos e a probabilidade de inadimplência devem permanecer altos no curto prazo.
Fonte: CNN Brasil Economia
