Uma das mulheres agredidas pelo lutador de jiu-jitsu Lucas Portela Fontana Gomes, em um condomínio na Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, afirmou que temeu morrer durante o ataque. Em entrevista exclusiva à GloboNews, ela descreveu o comportamento do homem como extremamente violento e contou que ele repetia ameaças de morte enquanto a agredia.
“Ele tinha ódio, muito ódio. Ele estava com a intenção de matar alguém. Ele falava o tempo todo só em matar”, relatou.
A vítima, de 40 anos, sofreu uma fratura em um osso do rosto e ainda enfrenta dores pelo corpo. Ela também teme permanecer no condomínio, diante da possibilidade de voltar a encontrar o agressor, que foi preso após os episódios de violência.
O ataque aconteceu depois que a moradora ouviu gritos de crianças, adolescentes e adultos nas dependências do edifício. Como estava sozinha em casa, decidiu descer para verificar o que estava acontecendo e tentar ajudar os demais moradores. No entanto, acabou sendo surpreendida pelo lutador.
Segundo seu relato, ao encontrá-la, Lucas ordenou que se ajoelhasse. Diante da recusa, começou a agredi-la.
“Eu não imaginava que iria me atacar daquela forma porque eu não fiz nada. Ele começou mandando eu ajoelhar para me agredir. Eu pensei que ele estivesse de brincadeira, mas não. Ele falou: ‘Ajoelha, ajoelha’. Eu não ajoelhei e ele começou a me espancar”, relembrou.
A mulher afirmou que o agressor demonstrava hostilidade principalmente contra pessoas do sexo feminino. Embora outros moradores estivessem no prédio, segundo ela, os ataques físicos foram direcionados às mulheres.
Durante as agressões, recebeu diversos socos na cabeça e também foi imobilizada com o golpe conhecido como “mata-leão”. A vítima contou que chegou a quase perder a consciência e sentiu dificuldade para respirar.
“Quando ele tentou me dar um mata-leão, eu quase desmaiei, mas consegui reagir. Foi aí que clamei por Deus. Pensei: ‘Meu Deus, será que eu vou morrer?’. Eu estava ficando sufocada”, contou.
O medo aumentou porque, segundo a moradora, Lucas repetia que mataria todos os presentes e chegou a simular o uso de uma arma com as mãos.
“Do jeito que ele estava agindo, pensei que ele tivesse uma arma e fosse matar todo mundo. Era só isso que ele falava. Repetia que ia matar todo mundo”, afirmou.
Ela também relatou que tentou proteger a cabeça com os braços, mas acabou atingida em outras partes do corpo.
“Ele só dava soco na minha cabeça. Eu usei o braço para me proteger e ele também atingiu o meu braço”, disse.
Após o ataque, a mulher recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros e foi encaminhada a uma unidade hospitalar. A gravidade dos ferimentos, porém, ficou mais evidente na manhã seguinte, quando conseguiu observar o próprio rosto.
“Eu fraturei um osso no rosto. Talvez tenha que fazer uma cirurgia. Ainda sinto muita dor na cabeça, no braço, na barriga, no abdômen. Estou tomando medicação, mas tenho que retornar para refazer os exames”, explicou.
Além das lesões físicas, a violência deixou consequências emocionais. A moradora afirmou que nunca havia tido qualquer contato anterior com o agressor e que agora vive com medo de encontrá-lo novamente.
“Eu estou assustada, com medo de ficar aqui. Tenho medo de encontrar com ele”, declarou.
A vítima espera que Lucas permaneça preso e não tenha oportunidade de voltar a ameaçar outros moradores.
“Espero que seja feita justiça. Ele poderia ter tirado a vida de alguém, igual à senhorinha que ficou desacordada no chão. A minha também. Ou até mesmo de uma criança. É muito assustador, porque, se ele fez isso comigo, vai fazer com outras pessoas, outras mulheres, até chegar ao ponto de matar alguém”, desabafou.
Condomínio busca impedir retorno do agressor
Diante da gravidade do episódio, a administração do condomínio encaminhou ao proprietário do apartamento um pedido formal para que sejam adotadas medidas destinadas à retirada de Lucas do imóvel.
Em entrevista à GloboNews, o advogado André Luiz Junqueira, representante do condomínio, afirmou que também está sendo avaliada a possibilidade de recorrer à Justiça para excluir o morador por comportamento antissocial.
Segundo o advogado, o proprietário do apartamento ficou assustado com o ocorrido e demonstrou disposição para tomar providências. A administração aguarda uma manifestação formal, mas também estuda ingressar diretamente com uma ação judicial para impedir que o lutador volte a ocupar o imóvel.
Junqueira acrescentou que o condomínio aguarda ainda o resultado dos pedidos de medidas protetivas. A intenção é garantir que, caso Lucas seja colocado em liberdade, não retorne ao edifício nem volte a ameaçar as vítimas.
Como aconteceram as agressões
Conforme os relatos reunidos na investigação, por volta da 1h, Lucas Portela teria invadido, sem motivo aparente, o apartamento de uma vizinha, localizado no terceiro andar, e agredido uma idosa de 81 anos.
Os familiares da mulher conseguiram deixar o imóvel e pedir ajuda na portaria do condomínio.
A moradora de 40 anos, que estava no segundo andar e ouviu os gritos, também decidiu verificar o que estava acontecendo. Ao chegar ao terceiro pavimento, encontrou o lutador próximo ao elevador.
Descalço e sem camisa, Lucas ordenou que ela se ajoelhasse. Diante da recusa, deu um chute na vítima.
“Você não me bate!”, pediu a mulher.
Na sequência, ele passou a desferir socos e cotoveladas, bateu a cabeça dela contra a parede e aplicou o golpe conhecido como “mata-leão”, derrubando-a no chão.
Mesmo com a moradora caída, as agressões continuaram. O lutador desferiu socos no rosto dela, pressionou seu peito com os joelhos e bateu repetidamente sua cabeça contra o piso. Os cães que estavam no elevador chegaram a tentar interromper os ataques.
Ferida, a mulher conseguiu deixar o prédio e procurou abrigo em um posto de gasolina nas proximidades.
Policiais militares do 6º BPM (Tijuca) e agentes da Guarda Municipal foram acionados para atender à ocorrência.
De acordo com o registro policial, durante a abordagem, Lucas tentou pegar a arma de um dos policiais. Os militares atiraram nas pernas dele, mas o lutador resistiu à prisão e tentou fugir pelas escadas.
Ele acabou imobilizado após os agentes utilizarem uma arma de choque e foi preso.
