MADRI – Os riscos que a inteligência artificial traz podem superar seus benefícios, disse a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.
Em evento do Santander, Georgieva comparou a IA a um lento tsunami que deve impactar 40% dos empregos na economia mundial em um período curto, entre três e cinco anos, quando empresas serão redefinidas, redesenhadas ou simplesmente eliminadas, exigindo novas habilidades dos trabalhadores.
Ao considerar apenas o efeito da IA no trabalho em países desenvolvidos, o percentual chega a 60%. A dirigente informou que o FMI está realizando estudos aprofundados sobre os impactos da IA na força de trabalho e na produtividade.
No lado positivo, a IA tem impulsionado um boom de investimentos circulares, em que uma empresa investe em outra, formando cadeias de financiamento, destacou a diretora-gerente.
Georgieva ressaltou que a economia global tem se mostrado extremamente resiliente, mas a dívida pública mundial está se aproximando de 100% do Produto Interno Bruto (PIB), com custos de refinanciamento mais elevados, o que demanda medidas de austeridade fiscal imediatas pelos governos.
“Apenas o crescimento não nos tirará da trajetória de alta da dívida pública; é preciso disciplina fiscal”, afirmou. O FMI projeta que a relação dívida/PIB alcance 100% em 2029, nível não visto desde a Segunda Guerra Mundial.
Atualmente, a dívida/PIB da economia mundial gira em torno de 95% a 96% em média, mas países desenvolvidos já apresentam indicadores acima de 100%, como Estados Unidos (120%) e França (113%). Georgieva citou a música “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin, ao dizer que a trajetória é “uma escada para cima e para mais acima, e não é uma escada para o céu”.
O custo do serviço da dívida, agravado pela inflação e pela elevação das taxas, está se tornando sufocante para os governos e prejudicial para empresas e famílias, segundo a diretora-gerente.
Na Europa, os países que têm apresentado melhor desempenho são aqueles que mantiveram disciplina fiscal, como Irlanda, Portugal e Grécia. Georgieva alertou que a tendência de alta nos preços de energia e alimentos deve persistir, elevando os rendimentos e exigindo que os governos protejam suas populações dos custos excessivos do serviço da dívida.
Ela concluiu que a economia mundial enfrentou choques dramáticos, enquanto os governos aumentaram gastos com defesa e demandas sociais, e que as nações que adotam a inteligência artificial de forma mais intensiva têm se saído melhor.
Fonte: Estadão Economia
