O Partido Liberal (PL) vai apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, ao mesmo tempo em que insiste em garantir um representante para comandar o Senado e defende a indicação de Rogério Marinho (PL-RN). A estratégia visa impedir que o partido, mesmo com a maior bancada de deputados, fique isolado e perca influência na distribuição das comissões.
Para definir a posição sobre a disputa na Câmara e a alocação de cargos no Legislativo, o PL convocou seus integrantes para uma reunião na próxima terça-feira (3), às 18h.
Antes de fechar acordo com Hugo Motta, o PL chegou a avaliar a possibilidade de lançar candidatura própria à presidência da Câmara. Os nomes cogitados foram o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e o atual vice-presidente da Casa, Altineu Côrtes (PL-RJ). A ideia foi descartada ao constatar que Motta tem maioria confortável para a reeleição, já contando com o apoio oficial de quinze partidos, entre eles o PT.
A ala liderada por Valdemar Costa Neto, presidente do PL, alerta que, sem acordo com Motta, a bancada maior não terá ganhos, sobretudo por causa da forma como as comissões são distribuídas. Na Câmara, a ordem de escolha das presidências das comissões segue a proporcionalidade dos blocos formados no dia da posse. Os blocos maiores escolhem primeiro e mais vezes, garantindo mais presidências.
Na prática, um partido que fique fora do bloco maior, ainda que seja o maior individualmente, passa a ser contado isoladamente e tem menos oportunidades de escolher as comissões mais disputadas. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), tradicionalmente a primeira a ser escolhida, é alvo da disputa, já que o deputado Nikolas Ferreira (PL) pretende presidiá-la. Caso o PL fique fora do bloco de Motta, a CCJ pode escapar das mãos do partido.
A ala mais radical do PL resiste a endossar Hugo Motta por sua proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Deputados da bancada afirmam que o PT teria prioridade nas articulações da esquerda, mas ameaçam deixar o bloco de Motta caso o presidente da Câmara também busque apoio da sigla de Flávio Bolsonaro (PL).
Nas eleições de outubro, o PL saiu das urnas com a maior bancada do Congresso: 121 deputados na Câmara, contra 99 na legislatura anterior, e 19 senadores eleitos, totalizando 28 senadores a partir de 2027, também a maior bancada. No Senado, a possibilidade de a oposição lançar candidato à presidência da Casa é considerada nula.
O senador Flávio Bolsonaro já anunciou a intenção de indicar Rogério Marinho para a disputa no Senado. Marinho, atual líder da oposição, foi coordenador da campanha do PL à presidência da Câmara. No Senado, os blocos partidários costumam ser definidos após a eleição da Mesa Diretora, reduzindo a pressão sobre o PL para se alinhar a Alcolumbre antes da votação.
A votação para o comando do Senado, assim como da Câmara, será secreta, e o anúncio formal das legendas não garante a adesão de todos os congressistas. Nomes como Guilherme Derrite (PP), Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS) devem apoiar o candidato da oposição, enquanto Alcolumbre afirma reunir ao menos 48 votos para permanecer à frente da Casa.
A resistência do PL ao atual presidente do Senado está ligada aos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Senado decide sozinho se aceita ou arquiva esses pedidos, e há dezenas de processos pendentes, inclusive contra o ministro Alexandre de Moraes. Marinho, um dos nomes apontados para disputar a presidência do Senado, criticou o “poder desmedido” do presidente da Casa e afirmou que o “novo Senado” não será omisso diante de crimes de responsabilidade de ministros do STF.
Fonte: CNN Brasil Política
