O mestrando em Educação da Universidade Federal do Acre (Ufac) e vice-presidente do Centro Acadêmico de Filosofia (Cafil), Anthony Gabriel, denunciou ter sido agredido com sucessivos tapas no rosto por um policial militar durante uma abordagem nas proximidades de uma distribuidora, em Rio Branco. Segundo o universitário, as agressões começaram depois que o agente o acusou de envolvimento em uma suposta invasão à sua residência.
Anthony relatou que estava acompanhado de outras três pessoas, incluindo integrantes da comunidade acadêmica da Ufac, nas proximidades de uma distribuidora cujo proprietário, também policial militar, é conhecido do grupo. Por volta das 22h20, quando se preparava para voltar para casa, uma viatura chegou ao local e os presentes foram abordados.
De acordo com o estudante, um dos policiais se aproximou e perguntou, em tom intimidador, onde ele morava. Anthony respondeu que residia na região do Eldorado/São Francisco. Logo após a resposta, afirma ter recebido o primeiro tapa no rosto, sem compreender o motivo da agressão.
Ao questionar a atitude, o universitário teria sido acusado pelo militar de participar de uma invasão à residência do próprio agente.
“Tu tava roubando a minha casa, entrando na minha casa, seu vagabundo. Cadê tua mochila?”, teria dito o policial, conforme o relato de Anthony.
Na tentativa de esclarecer a situação, o estudante mostrou a bolsa que carregava, explicou que era universitário da Ufac e negou qualquer participação no suposto crime. Apesar disso, segundo ele, o policial continuou com as agressões.
Anthony afirma que recebeu outros tapas no rosto, mesmo depois de pedir que o militar interrompesse a violência e conversasse para esclarecer o ocorrido. As pessoas que presenciaram a abordagem também teriam protestado contra a conduta do agente.
“Todo mundo gritando com o policial, dizendo pra ele não fazer aquilo. Mas o cara mirou só no meu rosto. Fiquei com hematoma na hora”, relatou.
Conforme o universitário, as agressões só foram interrompidas após a intervenção do proprietário da distribuidora, que também integra a Polícia Militar.
“Esse sujeito só parou de me bater porque o dono da distribuidora, policial, interveio. Senão, ele teria continuado a me humilhar”, afirmou.
Corregedoria
Questionado sobre a possibilidade de registrar boletim de ocorrência e realizar exame de corpo de delito, Anthony afirmou que os hematomas provocados pelas supostas agressões já estavam desaparecendo, o que o levou a demonstrar dúvidas sobre a eficácia de uma avaliação pericial.
“Essas marcas já estão sumindo do meu rosto. Acredito que não vai adiantar muito eu fazer o exame”, declarou.
O estudante também informou que recebeu orientações para procurar a Corregedoria da Polícia Militar do Acre e formalizar uma denúncia, apresentando detalhes da abordagem e das agressões relatadas.
“Me orientaram a fazer denúncia na Corregedoria agora de manhã, relatando detalhes da abordagem”, explicou.
Até o fechamento desta reportagem, Anthony não havia confirmado se registrou boletim de ocorrência ou se passou por exame de corpo de delito.
Conduta
Anthony Gabriel é bacharel em Filosofia pela Faculdade Diocesana São José (Fadisi), cursa licenciatura em Filosofia na Ufac e integra o Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da instituição. Ele também ocupa a vice-presidência do Centro Acadêmico de Filosofia (Cafil).
O relato do estudante levanta questionamentos sobre as circunstâncias da abordagem, especialmente sobre os motivos que levaram o policial a associá-lo a uma suposta invasão de residência e sobre o uso de força física durante a ocorrência.
Até o momento, não há informações sobre a identidade do policial denunciado nem confirmação de abertura de procedimento administrativo para investigar o episódio.
A reportagem tentou contato com a assessoria de comunicação da Polícia Militar do Acre (PMAC) e com a Corregedoria da corporação para solicitar esclarecimentos sobre a denúncia e saber se alguma providência foi adotada. Até o fechamento desta edição, não houve retorno.
O espaço permanece aberto para manifestação da Polícia Militar e apresentação de sua versão dos fatos.
