Leilões imobiliários abrem as portas do 1o imóvel; veja as vantagens

O primeiro lance de Thaisline Silva, hoje especialista em crédito imobiliário e porta‑voz da Caixa Econômica Federal, foi dado em um leilão de imóveis como um tiro no escuro, segundo entrevista ao Seu Dinheiro.

Em 2019, ela arrematou, por R$ 29,4 mil, uma casa em cidade vizinha, valor que comparou a um carro popular. Além do preço, desembolsou R$ 15,6 mil em documentação e reformas.

Em poucos meses, quase dobrou o investimento, vendendo o imóvel em menos de um ano por R$ 130 mil. Após a dedução dos impostos, estima ter ficado com cerca de R$ 70 mil.

A experiência a levou a atuar como correspondente da Caixa em leilões e, desde então, não deixou de investir nesse segmento.

Para quem ainda não possui imóvel, Thaisline recomenda que o sonho da casa própria seja realizado por meio de leilão, destacando que é possível adquirir propriedades com até 60% de desconto em relação ao mercado, vantagem superior ao programa Minha Casa Minha Vida, que oferece juros menores, mas preços mais altos.

O advogado Douglas Cabral, especialista em Direito Imobiliário e membro do Instituto Brasileiro de Direito Imobiliário (IBRADIM), corrobora a avaliação, afirmando que leilões, sobretudo os extrajudiciais, permitem encontrar bens muito abaixo do valor de mercado, embora exijam pesquisa cuidadosa.

Os leilões extrajudiais são promovidos por bancos quando o bem dado como garantia de financiamento não é pago. Os imóveis são anunciados nas plataformas das instituições financeiras ou em sites de leiloeiros credenciados. Já os judiciais ocorrem dentro de processos de execução, com editais publicados em portais de leiloeiros oficiais.

Um dos principais receios dos compradores é a ocupação dos imóveis. Thaisline aponta que a maioria dos bens leiloados está ocupada, o que pode gerar complicações, mas ressalta que, geralmente, a desocupação ocorre de forma amigável quando o novo proprietário oferece ajuda de custo e prazo para a saída.

Para evitar armadilhas, os especialistas recomendam leitura atenta do edital, verificação de que as fotos correspondem ao endereço registrado na matrícula e conferência da validade da matrícula, que tem prazo de 30 dias. Divergências entre imagens e bem leiloado ou informações desatualizadas podem gerar surpresas.

Caso o comprador deseje financiar, a Caixa exige aprovação de crédito antes do lance. A recusa após a arrematação pode acarretar multa de 5% sobre o valor. É fundamental calcular todas as despesas, incluindo comissão do leiloeiro (geralmente 5% do preço), ITBI, taxas cartorárias e possíveis reformas, além de verificar a existência de dívidas de condomínio que podem recair sobre o arrematante.

Em situações de leilões falsos, recomenda‑se confirmar a legitimidade do leiloeiro no registro da Junta Comercial e usar apenas sites oficiais para consultar os pregões.

Assim, com planejamento e cautela, leilões imobiliários podem representar uma porta de entrada acessível ao primeiro imóvel, oferecendo descontos significativos e potencial de lucro, conforme demonstra a trajetória de Thaisline Silva.

Fonte: Seu Dinheiro

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