Quase cinco meses após o desabamento da ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, parte dos escombros da estrutura foi liberada para retirada. A autorização foi emitida pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil do Acre e contempla apenas a fração que já passou pelos trabalhos periciais.
A liberação, porém, não garante início imediato da remoção. Ainda faltam exames e a Polícia Civil precisa avaliar se a retirada da porção já periciada pode ocorrer sem interferir nos destroços que ainda aguardam análise.
A Gazeta, o delegado‑geral da Polícia Civil, Pedro Buzolin, esclareceu que a autorização é parcial. “Parte da estrutura foi periciada, mas ainda há exames a serem executados. Em tese, essa parte pode ser retirada, porém não temos condições técnicas de afirmar se é possível retirar apenas essa parte sem prejudicar a que falta passar por perícia”, afirmou.
Assim, os escombros podem permanecer no local até a conclusão de toda a perícia, sem data definida para o término dos exames.
A dificuldade para concluir os trabalhos já havia sido apontada pela própria Polícia Civil. Em entrevista ao mesmo portal, no dia 5 de setembro, Buzolin informou que o Estado não dispõe dos equipamentos necessários e que a contratação do maquinário depende de processo licitatório.
A apuração das causas do desabamento segue sob responsabilidade do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC). Foi instaurado procedimento na esfera criminal para investigar possíveis omissões na fiscalização da obra ou irregularidades em contratos e laudos técnicos, com depoimentos de moradores, servidores, vítimas e representantes da construtora.
A Justiça, a partir de ação do MPAC, determinou que o governo estadual e a Construtora Cidade apresentem projeto conjunto, com prazos e custos definidos, para a remoção dos escombros e a reconstrução da ponte. Também foi decretado o bloqueio de até R$ 36 milhões em bens da construtora e a suspensão de repasses estaduais, com multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.
Entre as medidas previstas estão a disponibilização de balsa gratuita para restabelecer a ligação entre o Centro e o Segundo Distrito, a manutenção do tráfego pela Estrada Mário Lobão, a comprovação das apólices de seguro da obra e o cadastramento preventivo das famílias residentes próximas ao local do desabamento.
Inaugurada em dezembro de 2023, a ponte Frei Paolino Baldassari possuía 232 metros de extensão sobre o Rio Iaco e custou R$ 36 milhões aos cofres públicos.
No dia 4 de junho de 2026, o acesso à estrutura foi proibido após fiscais do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) e do Corpo de Bombeiros identificarem uma fenda. No dia seguinte, 5 de junho, a ponte desabou, deixando quatro pessoas sobre a travessia. Três sofreram ferimentos leves e o juiz aposentado Edinaldo Muniz sofreu traumatismo craniano grave e fraturas múltiplas, permanecendo internado por dois meses na UTI de hospital particular em São Paulo.
