BRASÍLIA – Com a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), bolsonaristas tentam criar uma paralelo com a eleição de 2015 na Venezuela para criticar a prorrogação do horário de votação, neste domingo, 25, e sugerir uma interferência decisiva contra o candidato Flávio Jair Flávio Bolsonaro (PL) (PL) (PL). A versão, entretanto, ignora dois pedidos de adiamento do prazo feito pela própria campanha de Flávio e o contexto distinto do pleito venezuelano. Sem aceitar o resultado das urnas, aliados de Flávio Bolsonaro dizem que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), interferiu em favor da campanha petista ao prorrogar por mais duas horas o prazo final de votação, até as 19 horas deste domingo, 25.
O PT pediu o adiamento ao STF e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após relatos de prejuízo no transporte coletivo em cidades como Salvador (BA), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). A campanha de Flávio também pediu adiamento ao TSE. A primeira solicitação era voltada para 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina atingidos por fortes chuvas neste domingo.
O segundo pedido abrangia cidades de Minas e Rio Grande do Sul. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, disse que era preciso aguardar relatórios de análise do impacto do prejuízo aos transportes para decidir. Enquanto isso, Zanin tomou à frente e determinou a prorrogação.
Após a apuração dos resultados, Nunes Marques afirmou que “prorrogar uma eleição é possível, mas tem que ser pensada, tem que ser calculada e estruturada”. “Hoje, estamos felizes e orgulhosos da nossa equipa técnica, que evitou efeitos maiores”, disse. Apesar de o presidente do TSE, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não ter relatado prejuízos ao processo eleitoral, aliados de Flávio Bolsonaro dizem que não é possível aceitar o resultado.
Para ampliar a versão de interferência, citam o caso da Venezuela. Em dezembro de 2015, os venezuelanos foram às urnas escolher os membros da Assembleia Nacional. Pouco antes do fim do pleito, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) prorrogou por mais uma hora o período de votação.
A então presidente do CNE, Sandra Oblitas, justificou a medida citando relatos de fechamento de locais de votação sem a devida verificação de eleitores na fila. “Por essa razão, o CNE estabeleceu a extensão do horário das mesas de votação até as sete da noite, ou até que haja eleitores na fila – anunciou a reitora do órgão eleitoral”, disse. A oposição saiu vitoriosa do pleito, com a eleição de uma bancada de 112 deputados, em um total de 167, mas denunciou a decisão do CNE alegando que seria um esforço do governo para mobilizar o eleitorado e evitar uma derrota maior.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) acompanhou a eleição de 2015 na Venezuela como observador internacional. O político bolsonaristas foi um dos primeiros a tentar fazer o paralelo com o quadro brasileiro deste domingo. “O mesmo método usado hoje por Zanin/PT de prorrogar a votação foi aplicado na Venezuela de Maduro há DEZ ANOS!!! Não por acaso, Lula é amigo de Maduro e, também não por acaso, Lula disse que na Venezuela há ‘excesso de democracia”, escreveu, nas redes sociais. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também encampou a tese e a disseminou para os seus apoiadores. “O ex-advogado do Lula toma uma decisão um minuto após o encerramento da eleição. Uma decisão nunca antes vista nesse País. que é de prorrogar a eleição até as 19 horas, exatamente como aconteceu, inclusive, em 2015, na Venezuela”, disse. Os aliados de Flávio reclamavam da decisão de Zanin desde antes da confirmação da derrota.
Coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN) falou em que o bom senso precisava prevalecer sobre “qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa”. Também classificou a decisão como “vergonhosa e intempestiva” tomada somente para “tumultuar o processo de uma eleição que eles já perderam no voto”.
Fonte: Estadão Política
