O Ministério Público Eleitoral defendeu a extinção do processo que envolve a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A manifestação ocorre após as candidaturas autorizarem a divulgação de seus dados, de familiares e de empresas para rebater acusações de corrupção.
O chamado “Desafio dos sigilos” foi proposto pelo candidato do PT durante o debate da TV Bandeirantes, no último domingo (17/10). No parecer, o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, argumenta que não há, na ação, elementos que justifiquem a intervenção da Justiça Eleitoral, sobretudo porque não há matéria estritamente eleitoral a ser analisada. O documento destaca que o sigilo dos dados é garantido pela Constituição, em decorrência do direito à intimidade e à privacidade.
Também ressalta que a legislação busca proteger o cidadão da indevida devassa de terceiros em relação a dados bancários, fiscais ou telefônicos que se inserem como expressão do direito de personalidade. O MP Eleitoral pontua, ainda, que não há impedimento para que o titular divulgue suas informações de forma voluntária.
A manifestação está alinhada à decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que afirmou que os candidatos podem divulgar seus dados sem aval da Justiça.
“Em síntese, a inexistência de pretensão resistida traduz a ausência de interesse jurídico de buscar a tutela jurisdicional. Como bem apontado pelo Ministro Relator, ‘não cabe à Justiça Eleitoral definir o que cada candidato quer ou não divulgar. O que se quiser divulgar é escolha de cada um, e avaliar essa escolha cabe ao eleitor’”, diz a manifestação do MP Eleitoral. Ao final, o vice-procurador-geral pede a extinção do processo sem a resolução do mérito.
Fonte: Metrópoles Brasil
