A 15 dias do 2º turno, campanha de Lula apara desavenças e muda estratégias

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve uma semana de reformulações após o primeiro turno. A reestruturação interna busca conter atritos e críticas que surgiram em reuniões de equipe e traçar estratégias para reverter a vantagem que o adversário Flávio Bolsonaro (PL) obteve na votação.

Lula reconheceu que a campanha foi “menos organizada” desde 1989, quando concorreu pela primeira vez à Presidência. Na sequência, o presidente procurou lideranças partidárias e candidatos eleitos para colher sugestões de mudanças para a reta final da disputa.

A quinze dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a equipe tenta aparar desavenças e focar na conquista de eleitores que votaram em branco ou nulo, bem como na redução da abstenção, convertendo esses votos em apoio ao petista. Neste sábado (10), após a semana de recalibragem, o presidente retomou as viagens de campanha.

Depois de participar de uma passeata em Ceilândia (DF) na sexta-feira (9), ao lado de Leandro Grass (PT), Lula deslocou‑se para Natal (RN) e participou de ato com o candidato Cadu de Lula (PT). A estratégia inclui reformulação da comunicação, sobretudo nas redes sociais, e o fortalecimento de palanques de aliados nos principais colégios eleitorais. O ex‑ministro da Educação e senador Camilo Santana passou a coordenar a política, o ex‑ministro da Casa Civil e senador Rui Costa assumiu a agenda, e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, ficou responsável pela comunicação, sob a direção geral de Edinho Silva, presidente nacional do PT.

“Não há trocas, apenas reforço. Eu, o governador Rafael Fonteles e o senador Rui Costa, com a experiência de ex‑ministros, viemos para colaborar e reforçar a campanha no segundo turno”, explicou Camilo Santana. A campanha tem o Nordeste como principal foco, buscando recuperar votos na região, tradicional reduto do petista, onde o desempenho ficou abaixo do registrado em 2022.

As maiores quedas foram no Maranhão, onde a votação passou de 68,84% para 63,91% (recuo de 4,94 pp), e na Bahia, de 69,73% para 66,04% (queda de 3,68 pp). O núcleo passou a integrar nomes que atuaram nas campanhas bem‑sucedidas de Jerônimo Rodrigues (Bahia) e na tentativa frustrada de João Campos (Pernambuco). Em reunião com parlamentares jovens na quarta‑feira (7), Lula recebeu sugestões para ampliar sua presença nas redes sociais.

Ao final do encontro, o presidente aceitou o apelo da ala jovem e adotou novos formatos de conteúdo. Entre quarta e sexta‑feira, Lula publicou 13 vídeos em que segura a câmera, inclusive em colaborações (collab) com perfis de deputados jovens que o acompanharam.

O primeiro debate presidencial do segundo turno, previsto para domingo (11) pela TV Record, foi cancelado por incompatibilidade de agendas entre os candidatos. A Band adiou seu debate para domingo, 18 de outubro, às 20h, enquanto a TV Globo programou o seu para 23 de outubro, dois dias antes do pleito. Além dos debates, ambos os candidatos participarão de sabatinas: Lula será entrevistado na quinta‑feira (15) e Flávio Bolsonaro na sexta‑feira (16). A emissora ainda não divulgou o horário oficial da transmissão da Globo.

Em trecho vazado, Lula reclamou da organização da campanha, reiterando que foi a “menos organizada” desde 1989. O ex‑ministro Gilberto Carvalho admitiu erros estratégicos, apontando excesso de comparações entre os governos Lula e Bolsonaro e falta de propostas sólidas, além de dificuldade em compreender a insatisfação econômica da população.

A ex‑senadora Kátia Abreu, coordenadora da campanha no Tocantins, criticou a predominância de Janja Lula da Silva na campanha em detrimento do vice‑presidente Geraldo Alckmin (PSB), que, segundo ela, precisa aparecer mais, sobretudo no eleitorado de São Paulo, onde Lula perdeu no primeiro turno.

Abreu também questionou a composição da cúpula do PT, acusando‑a de “paulistas sem voto”. O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, foi derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que obteve 62,65% dos votos, contra 36,42% do petista.

As candidatas ao Senado da chapa, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), também não foram eleitas.

Fonte: Metrópoles Brasil

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