O ministro Gilmar Mendes propôs, na terça-feira (22), levar ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) a discussão sobre indenizações a usinas de açúcar e álcool. Conforme apuração do analista de Política da CNN, Teo Cury, ao CNN Novo Dia, a medida intensifica a ofensiva contra o ministro Kassio Nunes Marques.
A iniciativa surge após a divulgação de mensagens extraídas do celular do ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, nas quais uma advogada celebra um voto de Nunes Marques sobre a mesma questão.
A proposta de Gilmar Mendes consiste em apresentar uma questão de ordem para retirar o caso da Segunda Turma e submetê‑lo à apreciação de todos os ministros do STF, buscando que o tema seja analisado em plenário.
Segundo avaliação, o objetivo seria garantir padronização e uniformização do entendimento acerca da perícia necessária para indenizar empresas do setor sucroalcooleiro.
As mensagens tornadas públicas foram obtidas a partir do acesso ao material bruto do celular de Vorcaro, pedido por vários ministros do Supremo.
O conteúdo revelou que o Banco Master esperava um voto favorável no julgamento. Kassio Nunes Marques havia, de fato, votado a favor dos interesses das empresas do setor sucroalcooleiro naquele momento.
Conversas entre Vorcaro e Gilmar Mendes mostraram que o ex‑banqueiro e seus advogados buscavam assegurar um voto do ministro, mas Mendes acabou votando a favor da União, contrariando os interesses do Banco Master.
Para Teo Cury, a ofensiva de Gilmar Mendes representa tentativa de expor o colega em meio à crise que afeta o STF. Em mensagens anteriores, Mendes já havia classificado alguns ministros como “servos” e “reféns” de André Mendonça e, por mensagem, pediu que Nunes Marques deixasse o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reforçando a postura nas redes sociais.
No julgamento, apenas Gilmar Mendes e André Mendonça votaram contra o Banco Master, enquanto Kassio Nunes Marques, Edson Fachin e Dias Toffoli apoiaram as indenizações. Há ainda informação de que um contrato de honorários de R$ 427 milhões poderia ser pago em caso de vitória, o que, segundo a apuração, se relaciona ao que a Polícia Federal denominou “turma do KN”, suposto grupo que atuou nos bastidores para garantir voto favorável no Supremo.
Fonte: CNN Brasil Política
