Empresário aliado de Maduro se declara culpado e entregará R$ 1 bi aos EUA

Alex Saab, empresário colombiano e suposto testa de ferro de Nicolás Maduro, declarou-se culpado na terça‑feira (15) perante um tribunal federal de Miami por conspiração para lavagem de dinheiro e transações financeiras ilícitas.

O acordo firmado com a promotoria inclui a entrega de US$ 195 milhões – cerca de R$ 1,03 bilhão – obtidos em operações ilícitas, além do compromisso de cooperar com as investigações, fornecendo informações sobre altos funcionários venezuelanos, segundo a agência EFE.

A promotoria havia indicado que Saab poderia enfrentar até 20 anos de prisão, mas informou que recomendará pena menor caso sua colaboração seja considerada valiosa, conforme a agência AP.

Deportado para os Estados Unidos em maio, quatro meses após a detenção de Maduro em Caracas por ação militar americana, Saab compareceu ao tribunal de Miami em 18 de maio, quando foram formalizadas as acusações de lavagem de dinheiro, ocultação de origem de fundos ligados à Venezuela e, também, de suposta fraude eletrônica, suborno e desvio de recursos públicos.

Durante o governo de Maduro, Saab tornou‑se figura central ao participar de projetos de construção de moradias e, posteriormente, ao chefiar o programa CLAP, responsável por centralizar a importação de alimentos distribuídos pelos Comitês Locais de Abastecimento e Produção.

Investigações revelaram que ele recebeu US$ 159 milhões do governo venezuelano para importar materiais de construção entre 2012 e 2013, mas entregou apenas US$ 3 milhões em produtos equivalentes. Autoridades americanas afirmam que as moradias não foram construídas ou foram superfaturadas. No âmbito do CLAP, Saab e o colombiano Álvaro Enrique Pulido Vargas teriam obtido contratos milionários, e o Departamento de Justiça dos EUA acusou, em 2019, os dois de lavar até US$ 350 milhões por meio do controle cambial venezuelano.

Saab foi detido em 2020 quando o avião em que viajava fez escala para reabastecimento em Cabo Verde. O governo venezuelano alegou que ele estava em missão humanitária de alto nível para o Irã.

O governo de Maduro tentou impedir sua prisão, denunciando a detenção como “sequestro”, promovendo campanha internacional de solidariedade e até nomeando‑o embaixador para garantir proteção diplomática. Apesar dos esforços, Saab foi extraditado para os EUA, permaneceu preso por dois anos e foi libertado em dezembro de 2023 após um acordo de troca de prisioneiros negociado pelo governo de Joe Biden, que incluiu cerca de 20 pessoas, entre elas dez americanos.

A confissão de culpa ocorre enquanto Maduro e sua esposa, Cilia Flores, enfrentam processos judiciais nos Estados Unidos, suscitando dúvidas sobre possíveis conexões entre os casos. O processo contra Saab menciona outros altos cargos venezuelanos, como o deputado José Gregorio Vielma Mora, ex‑superintendente do Serviço Tributário, ex‑governador de Táchira e ex‑ministro do Comércio Exterior.

Documentos judiciais apontam que Saab, seu sócio Álvaro Pulido Mora e “funcionários venezuelanos de alto escalão” organizaram um esquema para obter contratos lucrativos de importação de alimentos e medicamentos do CLAP, usando subornos, empresas de fachada, faturas falsas e registros de embarque fraudulentos para desviar centenas de milhões de dólares, com proteção de autoridades superiores, inclusive de um indivíduo identificado apenas como “Funcionário do Governo 1A”.

Segundo o mesmo documento, no início de 2016 Saab, o Funcionário do Governo 1A, Vielma Mora e outros conspiradores firmaram acordos secretos para a concessão de um contrato que previa a distribuição de dez milhões de caixas de alimentos, supervisionado pelo governo do Estado de Táchira e financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Nacional (Fonden), criado durante a gestão de Hugo Chávez.

Fonte: BBC News Brasil

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