O mundo acerta em temer IA, mas precisa confiar nas empresas, diz chefe da OpenAI

Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa que desenvolve o ChatGPT, declarou que a população deve depositar mais confiança na sua companhia e nas demais empresas do setor para conduzir o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) de forma responsável.

A fala foi feita na terça‑feira (15) durante a conferência anual da Salesforce, em San Francisco, Estados Unidos, e chegou num momento em que o debate sobre os riscos da IA tem se intensificado.

Altman reconheceu que o rápido avanço das ferramentas de IA gera motivos legítimos de preocupação, afirmando que não precisamos mais de tanta imaginação para imaginar como isso pode dar errado. Ele acrescentou que o mundo tem razão em temer a tecnologia.

A declaração ocorreu logo após a divulgação de dois artigos de ex‑funcionários da Anthropic, empresa concorrente que criou o assistente Claude. Um dos textos, de Jacob Coxon, e outro, de Evan Hubinger, alertavam que, sem controle, a IA poderia representar uma ameaça existencial até o final da década.

Em resposta, o presidente‑executivo da Anthropic, Dario Amodei, pediu a redução do ritmo de desenvolvimento e solicitou que governos adotem regulamentações. Seu posicionamento recebeu apoio de Altman, de Demis Hassabis, cofundador da Deep Mind, e de Elon Musk, dono da rede X e do assistente Grok.

Apesar de defender a autorregulação, Altman afirmou que as empresas do setor são capazes de manter o alinhamento da IA com valores humanos e garantir a segurança. Ele garantiu que, caso não consigam, irão desacelerar ou interromper o desenvolvimento.

No cenário político americano, o senador independente Bernie Sanders e o ex‑assessor de Donald Trump, Steve Bannon, criticaram a ideia de que apenas as empresas deveriam definir as regras. Sanders acusou um “punhado de oligarcas” de monopolizar as decisões, enquanto Bannon questionou a confiabilidade de quem detém o poder econômico.

Outros líderes do setor, como Mark Zuckerberg, da Meta, e Jensen Huang, da Nvidia, também defenderam a capacidade das empresas de estabelecer medidas de segurança sem necessidade de novas leis. Zuckerberg ressaltou que laboratórios que não priorizarem o alinhamento ficarão para trás, e Huang afirmou que a segurança é um problema de engenharia que pode ser resolvido internamente.

Entretanto, executivos como Jack Clark, da Anthropic, e Patrick Hillman, da Logical Intelligence, alertaram que deixar a IA sem regulamentação seria “apostar diante de riscos imensos”. Eles apontaram a falta de confiança de que as companhias de tecnologia agirão em interesse público, e sugeriram que a indústria deve buscar acordos de segurança mais rigorosos.

Recentemente, a OpenAI e a Anthropic iniciaram discussões para criar padrões voluntários de segurança envolvendo outros laboratórios, como o Google Deep Mind. Chris Lehane, executivo da OpenAI, destacou que a colaboração entre empresas é essencial para evitar que a busca pelo perfeito impeça avanços benéficos.

Fonte: BBC News Brasil

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