O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026.
O resultado ficou ligeiramente acima da projeção de alta de 0,4% feita pelo mercado e representa um crescimento de 2% em relação ao mesmo período do ano passado.
Entretanto, o acumulado de quatro trimestres desacelerou para 1,9%, e analistas atribuem essa perda de força às elevadas taxas de juros que ainda pesam sobre a economia.
O dado que mais chama atenção é a queda de 0,4% no consumo das famílias ao comparar com o primeiro trimestre, sinalizando que os juros ainda elevados estão pressionando a demanda doméstica.
Segundo o analista Spyer, embora o PIB tenha superado as expectativas, a economia continua perdendo ritmo, o que torna ainda mais relevantes os próximos indicadores de inflação e atividade para o Banco Central. Ele destaca que o crescimento veio concentrado no agro e em alguns componentes de investimento, enquanto o consumo – um dos principais motores da economia – recuou.
O conselheiro da Ancord resumiu a mensagem do PIB como “a economia ainda cresce, mas está claramente pisando no freio”. Para os investidores, a combinação de desaceleração da atividade com juros altos será decisiva para o comportamento dos ativos nos próximos meses, avalia o especialista.
André Valério, economista do Banco Inter, prevê variações modestas nos próximos dois trimestres, com consumidores ainda restritos por condições financeiras adversas e o agro deixando de ser uma contribuição positiva após o período sazonal de colheita e os potenciais efeitos negativos do El Niño. Ele estima que o PIB encerre 2026 com crescimento de 1,8%.
Vitor Kayo, economista da Nomad, interpreta o resultado como confirmação de uma desaceleração gradual ao longo do ano, sem uma freada brusca, refletindo os efeitos defasados dos juros elevados e a redução do impulso fiscal. Tanto o consumo das famílias quanto o investimento perderam força, embora o mercado de trabalho continue apresentando sinais de vigor, o que pode gerar certo alívio para o Banco Central, segundo Kayo, que ainda observa a inflação distante da meta.
Os dados do Produto Interno Bruto foram divulgados na terça-feira (1) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Fonte: Metrópoles Brasil
