Uma em cada 3 mulheres no Acre sofre violência sem identificar o abuso

Uma parcela expressiva das mulheres acreanas vive situações de violência sem reconhecê-las espontaneamente como violência doméstica ou familiar. No Acre, 34% das entrevistadas relataram episódios concretos de agressão nos 12 meses anteriores à pesquisa, embora não tenham se identificado inicialmente como vítimas.

O percentual está entre os maiores do país. Alagoas lidera, com 36%, seguido pelo Amazonas, com 35%. Acre e Tocantins aparecem na sequência, ambos com 34%.

Os dados fazem parte da atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida pelo Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal e que reúne informações da 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher.

O levantamento mostra ainda que 33% das mulheres do Acre afirmam já ter sofrido algum tipo de violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. O índice também está entre os maiores registrados no país, ao lado de Amazonas, Sergipe e Mato Grosso.

Outro dado revela a vulnerabilidade de parte das vítimas dentro da própria casa. No Acre, 22% das mulheres que sofreram violência ainda vivem com o agressor. A proporção é quase o dobro da média nacional, de 12%, e só fica abaixo da registrada em Sergipe, onde chega a 23%.

O marido ou companheiro também aparece como principal agressor entre as acreanas. Ele é apontado em 73% dos casos, maior percentual registrado entre as unidades da Federação. No Brasil, a média é de 62%.

A pesquisa procurou identificar situações que muitas vezes não são percebidas imediatamente pelas próprias mulheres como formas de violência. Entre os episódios investigados estão insultos, humilhações, acusações falsas, ameaças e outras agressões ocorridas no ambiente familiar ou em relações próximas.

Em todo o país, cerca de 29 milhões de mulheres viveram alguma situação de violência doméstica ou familiar nos 12 meses analisados. Desse total, aproximadamente 25 milhões relataram situações concretas de violência sem nomeá-las espontaneamente dessa forma.

A 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher ouviu 21.641 mulheres em todas as unidades da Federação. Os dados foram incorporados ao Mapa Nacional da Violência de Gênero para permitir a comparação da situação entre estados e regiões.

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