A pesquisa Delta, divulgada nesta quarta‑feira (26) pela TV Gazeta, mostra que a corrida por duas vagas ao Senado pelo Acre está cada vez mais embaralhada. O levantamento aponta três movimentos principais: a liderança de Márcio Bittar, o crescimento de Mara Rocha em cenário sem Gladson Cameli e a dificuldade de Jorge Viana e Sérgio Petecão em transformar suas intenções de voto em vantagem confortável.
Quando Gladson Cameli ainda aparece como candidato, Bittar lidera com 18,84%, seguido por Cameli (16,60%). Viana aparece em terceiro lugar, com 14,07%, empatado tecnicamente com Mara Rocha, que registra 12,77% dentro da margem de erro. Na sequência, Sérgio Petecão tem 9,84%, Eduardo Veloso 5,82%, Júnior Feitosa 2,98% e Inácio Moreira 1,24%. Brancos e nulos somam 3,63% e 14,21% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
O ponto mais relevante, porém, está na instabilidade gerada pela situação jurídica e política de Gladson Cameli. A indefinição sobre sua candidatura pode desgastar sua campanha, já que a disputa para o Senado exige presença constante ao longo de todo o processo eleitoral.
Bittar, por sua vez, parece se beneficiar de uma campanha construída de forma contínua. O senador tem mantido agenda permanente e buscado diferentes segmentos do eleitorado, estratégia que pode explicar sua vantagem nos dois cenários apresentados pela pesquisa.
No cenário em que Cameli é retirado da disputa, Bittar amplia sua vantagem, chegando a 21,32%. Mara Rocha salta para 17,20%, enquanto Viana aparece com 14,61%. Petecão cresce para 12,30%, Veloso registra 6,51%, Feitosa 3,48% e Moreira 1,49%. Brancos e nulos somam 4,77% e o percentual de indecisos sobe para 18,49%.
O aumento de Mara Rocha indica capacidade de absorver parte do eleitorado identificado com a direita quando Cameli deixa de figurar entre as opções. O movimento sugere que a ausência do ex‑governador não implica apenas redistribuição automática dos votos, mas altera a própria configuração da disputa.
Assim, Bittar mantém a dianteira, mas Mara se aproxima e Viana permanece competitivo. A corrida passa a apresentar contornos mais claros entre candidatos de campos políticos distintos, sem que nenhum consiga abrir distância suficientemente ampla para tornar a eleição previsível.
Os índices de rejeição colocam Viana como o mais rejeitado, com 24,95%, seguido por Petecão (17,59%). Bittar registra 17%, Cameli 10%, Mara Rocha 8%, Veloso e Moreira 4,17% cada, e Feitosa 2,39%. Outros 14,12% não souberam ou não responderam.
O número de Viana deve ser observado com cautela: o petista mantém força eleitoral, mas enfrenta o desafio de transformar sua histórica identificação com o eleitorado de esquerda em votos suficientes para ocupar uma das vagas. A presença ou ausência de Cameli modifica significativamente o desempenho dos demais concorrentes, fortalecendo sobretudo Mara Rocha, Bittar e Petecão. Com 18,49% de indecisos no cenário sem Cameli, ainda há parcela expressiva do eleitorado a ser conquistada, tornando as últimas semanas decisivas.
