O percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu recorde em julho, ao mesmo tempo em que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) chegou a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e do Banco Central.
A CNC apontou que 82% das famílias tinham dívidas em julho, abrangendo cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré‑datado e prestações de carro e casa. O Banco Central confirmou que a DBGG, que inclui os entes federais, estaduais e municipais, representou 81,9% do PIB, equivalente a R$ 10,8 trilhões.
Esse nível representa alta de 0,9 ponto percentual em relação a maio, sendo o maior desde a pandemia de 2021. No caso das famílias, o número de domicílios com dívidas a vencer subiu 0,4 ponto percentual em relação a junho, quando a taxa era de 81,6%.
O aumento do endividamento eleva o comprometimento da renda familiar, o que pode reduzir a capacidade de consumo. O percentual de famílias que se consideram muito endividadas recuou de 17,2% para 17,1%, enquanto a parcela que se considera pouco endividada subiu de 34,2% para 35% no mesmo período. As contas em atraso caíram de 29,9% para 29,8% e o tempo médio de atraso chegou a 64,6 dias, o menor patamar desde dezembro de 2025.
A proporção de consumidores com dívidas vencidas há mais de 90 dias recuou para 48,5%, o que ajuda a conter a acumulação de juros. Por outro lado, o percentual de consumidores que destinam mais de 50% da renda mensal ao pagamento de dívidas subiu para 19%, e, em média, as famílias endividadas comprometem 29,5% da renda com credores.
Nas faixas de renda, 84,9% das famílias com ganhos de até três salários mínimos estão endividadas, e 38,5% têm contas em atraso. Nesse grupo, 17,8% declararam não ter condições de quitar as dívidas. Entre os que recebem acima de dez salários mínimos, 72% estão endividadas, com atraso em 15,1% das contas.
No setor público, o déficit primário registrado em junho de 2026 foi de R$ 55,3 bilhões, alta de 17,4% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o déficit foi de R$ 47,1 bilhões. O governo central respondeu com déficit de R$ 47,2 bilhões, enquanto os entes regionais apresentaram saldo negativo de R$ 6,6 bilhões e as empresas estatais, déficit de R$ 1,5 bilhão.
Em maio, a dívida total representava 81,1% do PIB. Desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a relação dívida‑PIB subiu 10,2 pontos percentuais. A Instituição Fiscal Independente projeta que, se a tendência persistir, o percentual pode alcançar 115% em 2036. O Banco Central atribui o avanço da dívida ao aumento dos juros nominais em 0,8 ponto percentual, às emissões líquidas de dívida em 0,6 ponto percentual e à queda de 0,5 ponto percentual do PIB nominal.
Fonte: Poder Economia
