O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (19) que as Forças Armadas estão “morrendo” e “definhando” durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e criticou a regulamentação das apostas esportivas na gestão petista.
Em entrevista concedida à Jovem Pan News, o candidato explicou que a situação das Forças compromete a proteção das fronteiras e, por consequência, o combate ao crime organizado. “A gente não fabrica pasta‑base de droga e não produz determinados armamentos, e eles entram pelas nossas fronteiras. Qual é a situação das Forças Armadas na gestão do governo Lula? Elas estão morrendo, estão definhando”, disse.
Tarcísio acusou o governo federal de permitir o enfraquecimento das Forças ao mesmo tempo em que anuncia investimentos e novas estruturas para a segurança pública. “Deixam as Forças Armadas morrerem e chegam aqui para dizer que vão investir em segurança pública”, afirmou. Ele ainda ironizou a criação de gabinetes para coordenar ações conjuntas entre as forças de segurança, proposta do seu principal oponente, o ex‑ministro Fernando Haddad (PT).
Segundo o governador, São Paulo já realizou 542 operações em parceria com a Polícia Federal, a Receita Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Na mesma entrevista, Tarcísio responsabilizou Haddad, que comandava o Ministério da Fazenda, pela regulamentação das bets. O governador associou as apostas ao endividamento das famílias e às dificuldades do varejo, afirmando que “as pessoas estão endividadas, estão gastando o seu dinheirinho com as bets, que foram regulamentadas aí no governo Lula, pelo Haddad”.
O mercado de apostas foi legalizado em 2018, no governo Michel Temer (MDB), mas não foi regulamentado no prazo encerrado durante a gestão de Jair Bolsonaro. No governo Lula, o Ministério da Fazenda criou uma secretaria para autorizar e fiscalizar as empresas do setor. Tarcísio declarou que se identifica com o bolsonarismo e compartilha valores do movimento, embora mantenha “identidade própria” e rejeite posições que considera sem sentido.
“Tenho valores que são comuns aos valores pregados pelo bolsonarismo”, resumiu, acrescentando que se define como cristão, conservador, liberal e defensor de um Estado mais enxuto, do setor privado e do empreendedorismo. Em relação à saúde, o governador destacou os esforços de sua gestão para elevar a cobertura vacinal em São Paulo. Segundo ele, a imunização com a tríplice viral passou de 78% para 94% após a criação de incentivos financeiros aos municípios pelo cumprimento de metas, ressaltando a importância do avanço num momento em que o sarampo volta a aparecer.
Tarcísio também afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas facilitaria a relação do governo paulista com a União, considerando a reeleição do governador ao Palácio dos Bandeirantes. “O Flávio eleito presidente, a nossa vida aqui vai ser mais fácil”, disse.
Na avaliação do candidato, a relação com o governo do presidente Lula é prejudicada porque o Planalto vê a gestão estadual como composta por “adversários políticos”. Ele ainda atribuiu o aumento das reclamações contra a Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) após a privatização à substituição dos hidrômetros, explicando que os novos medidores passaram a detectar perdas antes não registradas, gerando um pico de queixas. “É um ajuste que a empresa fez imediatamente. O número de reclamações vem caindo continuamente”, concluiu.
Fonte: Estadão Política
