Os indígenas bloquearam a BR‑364 em Cruzeiro do Sul nesta segunda‑feira (17), no km 66 da rodovia, em frente à Terra Indígena Katukina. A ação, iniciada por volta das 3h, tem como principal reivindicação a manutenção dos acessos às aldeias do povo Noke Ko’î.
A Associação Geral do Povo Noke Ko’î (AGPN) afirma que os caminhos que dão acesso às comunidades estão em condições precárias e não recebem manutenção adequada há mais de quatro anos, o que dificulta o deslocamento de famílias, crianças, idosos e estudantes, além de comprometer o transporte de alimentos e a chegada de profissionais que prestam serviços nas aldeias.
A precariedade dos ramais também afeta o atendimento de saúde, sobretudo no período chuvoso, quando as vias ficam ainda mais difíceis de transitar para veículos de emergência.
Antes de promover a manifestação, a AGPN tentou resolver a questão por meio do diálogo com o poder público. Em 16 de julho, a entidade enviou o Ofício nº 023/2026 ao Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (Deracre), solicitando a recuperação dos acessos à Terra Indígena Katukina.
O Deracre respondeu que as obras seriam realizadas em etapas, iniciando pelo acesso à Aldeia Waninawa e, depois, pelos demais trechos, com previsão de início no fim de julho ou no início de agosto. Até o momento, a AGPN não recebeu confirmação de que os serviços tenham sido efetivados.
A mobilização ocorre de forma organizada e pacífica, com o objetivo de chamar a atenção das autoridades para as dificuldades das comunidades indígenas. Durante a interdição, a passagem prioritária de ambulâncias, veículos de resgate e demais atendimentos de emergência será garantida. A AGPN declarou estar disposta a manter o diálogo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e outros órgãos envolvidos, orientando os usuários da rodovia a se programarem diante da ação e aguardando medidas concretas para a recuperação dos acessos às aldeias.
