Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial, após prejuízo de R$ 10,1 bi

O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial com 17,322 bilhões de reais em dívidas, abrangendo a controladora e nove subsidiárias. A petição foi apresentada à Justiça de São Paulo neste domingo, 16.

Do total, 16,414 bilhões correspondem a dívidas quirografárias, sem garantia real. Outros 754,5 milhões são obrigações trabalhistas e 153,8 milhões devem a microempresas e empresas de pequeno porte.

Na solicitação, a empresa alega enfrentar “a pior crise financeira desde a sua fundação”, apontando alta de juros, inflação, perda de poder de compra das famílias, aumento da inadimplência e os investimentos recentes em tecnologia, logística e comércio eletrônico como causas.

O pedido segue à divulgação de prejuízo líquido contábil de 10,1 bilhões de reais no segundo trimestre, com prejuízo ajustado de 978 milhões – alta de 76,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em resposta, a varejista encerrou 298 lojas e reduziu o quadro de funcionários.

No mesmo fim de semana, a rede Marabraz também entrou com pedido de recuperação judicial.

A Casas Bahia destaca que o aumento dos custos financeiros passou a consumir parcela relevante dos resultados, já que seu modelo exige capital de giro elevado, operações de crédito ao consumidor, risco de fornecedores e dívida para financiar estoques.

Em 2023, o grupo iniciou reestruturação que incluiu o fechamento de 55 lojas deficitárias, corte de cerca de 8,6 mil postos de trabalho, redução superior a um bilhão nos estoques e diminuição de aproximadamente 60% dos investimentos. No ano seguinte, recorreu a recuperação extrajudicial para alongar 4,8 bilhões de principal e juros de dívidas que venceriam entre 2024 e 2027. Em 2025, a Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) Capital assumiu 85,5% do capital, convertendo debêntures em ações e reduzindo a dívida corporativa em 1,6 bilhão.

A nova fase de reestruturação prevê demissão de cerca de três mil funcionários e fechamento de quase 300 lojas em agosto. A empresa sustenta que a crise é temporária, descrevendo-a como “desequilíbrio conjuntural, e não estrutural”. Também pediu proteção contra vencimento antecipado de contratos que somam mais de dez bilhões de reais, solicitando suspensão de execuções e bloqueios por 180 dias, manutenção da entrega de mercadorias já compradas, preservação de contratos essenciais e proibição da tomada de estoques oferecidos em garantia.

A relação apresentada à Justiça inclui créditos não sujeitos à recuperação, entre eles 2,622 bilhões ao banco Digio, 2,392 bilhões ao Banco do Brasil e 1,504 bilhão ao Bradesco. Digio e Banco do Brasil ainda têm créditos sujeitos ao processo, de 655,6 milhões e 598,1 milhões, respectivamente. Também foram incluídas ao pedido as empresas ASAP Log – Logística e Soluções, CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística, Cntlog Express Logística e Transporte, Globex Administração e Serviços, Cnova Comércio Eletrônico, Integra Soluções para Varejo Digital, Casas Bahia Tecnologia e Indústria de Móveis Bartira.

Do prejuízo contábil de 10,1 bilhões, cerca de 9,1 bilhões são atribuídos a efeitos não recorrentes, sendo o maior impacto – 5,56 bilhões – proveniente de imposto de renda e contribuição social diferidos. A companhia reconheceu ainda 1,8 bilhão em contingências contratuais, 971 milhões em baixa de ágio, 502 milhões em gastos de reestruturação e 210 milhões ligados a ativos imobilizados e à reorganização da operação. O resultado financeiro ficou negativo em 1,28 bilhão, com despesas financeiras de 1,35 bilhão, 7,3% superiores ao período anterior. A dívida líquida atingiu 1,2 bilhão, enquanto o patrimônio líquido registrou saldo negativo de 8,2 bilhões. A empresa pretende priorizar a venda de produtos por canais digitais próprios, reduzir estoques e vender participações em ativos para melhorar a liquidez.

Mesmo em meio à reestruturação, a Casas Bahia registrou crescimento modesto nas vendas. A receita líquida avançou 1,6%, para 6,98 bilhões de reais, e o volume bruto de mercadorias consolidado subiu 0,5%, para 10,51 bilhões. Nas lojas físicas, o indicador recuou 3,2%, para 6,08 bilhões. O EBITDA ficou em 518 milhões, queda de 9,4% em relação ao segundo trimestre de 2025, com margem de 7,4%. A inadimplência no carnê chegou a 8,9%, alta de 0,5 ponto percentual em um ano.

Fonte: Estadão Economia

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