EUA consideram novas sanções contra Alexandre de Moraes, diz jornal britânico

O Financial Times noticiou no domingo (16) que o governo dos Estados Unidos está discutindo novas sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, em meio à crise diplomática entre os dois países.

Segundo o jornal, o governo de Donald Trump considerou adotar novas medidas contra Moraes, que já havia sido alvo de sanções no ano passado por questões de direitos humanos, antes de a medida ser revogada.

Moraes foi incluído na Lei Magnitsky em julho do ano passado, tornando‑se a primeira autoridade brasileira a sofrer tal punição. A sanção restringia as movimentações financeiras dele e de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e foi adotada quando o governo Trump criticava o julgamento do ex‑presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Em dezembro, após uma aproximação diplomática entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Moraes e sua esposa foram retirados da lista de sancionados da Lei Magnitsky.

O Financial Times afirma que os EUA voltaram a discutir a situação de Moraes devido a decisões recentes em um caso que gerou debate sobre a liberdade de imprensa no Brasil. Na semana passada, o ministro autorizou uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra Raimundo Cutrim, ex‑secretário do governo do Maranhão apontado como fonte do jornalista Luís Pablo.

A investigação surgiu após Luís Pablo publicar reportagens sobre o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino, também do STF. Em março, a PF apreendeu celulares, notebook e outros dispositivos do jornalista, e a análise desse material levou à identificação de Cutrim como quem teria fornecido imagens e informações obtidas em sistemas de acesso restrito.

Com base nas conclusões, a PF solicitou novas buscas contra Cutrim. O pedido recebeu parecer favorável da Procuradoria‑Geral da República e foi autorizado por Moraes. Entre os itens que podem ser apreendidos estão aparelhos eletrônicos e documentos.

Organizações como ARTICLE 19, Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) reagiram, alertando que a identificação da suposta fonte a partir do material retirado do jornalista levanta questões sobre a proteção constitucional e internacional das fontes jornalísticas.

Uma fonte ligada ao governo Trump disse ao Financial Times que Moraes “tem visado os apoiadores do presidente [Trump]”. “Mesmo que queiramos um bom relacionamento com o Brasil, é óbvio que esse sujeito é um inimigo”, afirmou a fonte.

O jornal indica que ainda não está claro “se ou quando” uma decisão será tomada, mas a notícia surge em um momento de escalada das tensões entre Brasil e EUA, com novos tarifaços anunciados por Washington contra o Brasil no mês passado.

Fonte: BBC News Brasil

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