Fiesp critica o que achama de ‘tramitação apressada’ do fim da escala 6X1

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) criticou na sexta-feira (14) a possível tramitação “apressada” da proposta que altera a escala de trabalho seis X 1.

Em nota à imprensa, o presidente da federação, Paulo Skaf, afirmou que o tema exige debate técnico e que a discussão não deve ser conduzida sob influência do calendário eleitoral.

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil‑AP), encaminhou à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) a PEC que elimina a escala seis X 1, proposta já aprovada pela Câmara e parada no Senado desde 28 de maio.

Segundo a Fiesp, definir as escalas de trabalho diretamente no texto constitucional seria uma “anomalia sem paralelo no mundo”, pois as condições devem ser negociadas de acordo com as características de cada setor, como comércio, saúde, indústria e agronegócio.

Skaf destacou que o assunto deve ser debatido setorialmente, mas não pode acontecer “no calor de um ano eleitoral, em que as motivações normalmente são outras”.

A nota foi divulgada após Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomarem as conversas sobre a pauta do Congresso, reunindo‑se três vezes em dez dias, e já discutiam a possibilidade de deixar a votação da PEC para depois das eleições de outubro.

O envio à CCJ permite que o texto avance na comissão, porém a votação no plenário do Senado deve ficar para depois das eleições, já que a medida precisa de 3/5 dos senadores em dois turnos para ser aprovada. Se aprovada na Câmara, entraria em vigor 60 dias após a promulgação, estabelecendo dois dias de folga e jornada máxima de 40 horas semanais.

A Fiesp afirma ser favorável ao debate sobre a jornada de trabalho, mas defende que a discussão seja feita fora do calendário eleitoral e que se preserve a autonomia das negociações coletivas.

Dentro do governo, há divergências: o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT‑CE), sugeriu adiamento da votação, enquanto o ministro‑chefe da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), defende tramitação mais rápida. Alguns petistas, como o deputado Lindbergh Farias (PT‑RJ), pedem que a proposta avance ainda em 2026.

Fonte: Poder Economia

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