Pais acorrentam filho em Rio Branco para protegê-lo das drogas e pedem ajuda

Os pais chegaram ao extremo de manter o próprio filho acorrentado dentro de casa, em Rio Branco, durante crises provocadas pelo uso de drogas. Moradores do Ramal da Garapeira, no Segundo Distrito da capital, Zeneide Soares e Raimundo Nonato afirmam estar esgotados após anos tentando conseguir tratamento adequado para o filho de 32 anos.

Segundo o casal, o jovem enfrenta problemas relacionados ao consumo de cocaína, maconha e crack há cerca de 12 anos. Antes da dependência se agravar, trabalhava como roçador, mas acabou abandonando o emprego e passou a apresentar alterações severas de comportamento nos períodos de crise e abstinência.

A família relata que, nesses momentos, ele fica extremamente agressivo, quebra objetos dentro de casa e obriga os pais a esconderem itens que possam ser usados para ferir alguém. Para impedir que saísse durante os episódios de maior descontrole, os pais utilizaram uma corrente de ferro de aproximadamente cinco metros, presa a uma parede da residência.

Raimundo conta que a família recebeu ameaças e que, segundo o relato dos pais, integrantes de uma facção criminosa teriam exigido que o filho permanecesse dentro de casa por causa de dívidas. Diante do risco, os pais entenderam que mantê‑lo confinado seria uma forma de evitar consequências ainda mais graves.

A situação chegou ao limite após a última crise, quando o jovem ficou cinco dias internado na UPA do Segundo Distrito, apresentando quadro de psicose associado ao consumo excessivo de drogas. Após a alta, os pais tentaram mantê‑lo acorrentado por três dias, mas ele ficou ainda mais revoltado e transtornado.

Sem condições de continuar com a medida, o casal decidiu soltá‑lo. Desde então, a família vive novamente sob tensão. A mãe afirma que o filho chegou a sair de casa e foi agredido novamente.

A família também reclama da dificuldade para conseguir um diagnóstico psiquiátrico definitivo e um tratamento contínuo. Ao longo dos anos, passaram por diversas unidades de saúde e pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps), mas ainda não obtiveram avaliação especializada que indique o tratamento necessário.

Segundo a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), o atendimento para diagnóstico e definição de medicação deve iniciar em uma unidade básica de saúde, com possível encaminhamento posterior para a Fundação Hospitalar (Fundhacre) para avaliação psiquiátrica.

Raimundo, de 56 anos, e Zeneide, de 48, vivem de trabalhos informais e dizem não ter mais forças para enfrentar a situação sozinhos. Eles pedem apoio das autoridades para conseguir vaga em serviço especializado e encontrar alternativa segura para o tratamento do filho.

Fonte: G1

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