Estrangeiros tiram R$ 12 bi da Bolsa em agosto, na 2ª maior fuga do ano

Os investidores estrangeiros retiraram R$ 11,93 bilhões da Bolsa brasileira nos sete primeiros pregões de agosto, até o dia 11.

O levantamento foi realizado pela consultoria Elos Ayta, com base em dados da B3, e não inclui aportes em IPOs nem em follow‑ons.

Com esse volume, agosto tornou‑se o segundo mês com maior saída de recursos estrangeiros da B3 em 2026, ficando atrás apenas de maio, quando a retirada líquida chegou a R$ 14,91 bilhões. A saída de agosto corresponde a cerca de 80% do volume registrado em maio, mas foi acumulada em apenas sete pregões.

O ritmo indica aceleração das retiradas, embora ainda não seja possível projetar o resultado para o fim do mês. Nos primeiros três meses de 2026, o fluxo era oposto: janeiro registrou entrada de R$ 26,31 bilhões, fevereiro de R$ 15,40 bilhões e março de R$ 11,66 bilhões.

A partir do segundo trimestre, o fluxo perdeu força. Em abril houve entrada de R$ 3,18 bilhões, seguida por saídas de R$ 14,91 bilhões em maio e R$ 7,79 bilhões em junho.

O movimento de capital estrangeiro é acompanhado como indicador da percepção internacional sobre os ativos brasileiros e influencia a liquidez e a formação de preços na B3. Segundo o economista‑chefe e sócio‑fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, a saída de recursos estrangeiros decorre de receios quanto às perspectivas fiscais e ao nível da dívida bruta, questões intensificadas pelo calendário eleitoral.

A dívida bruta de todos os entes federativos atingiu 81,9% do Produto Interno Bruto em junho, o maior patamar desde a pandemia de 2021, segundo dados do Banco Central. O cenário tem sido associado a menor responsabilidade fiscal, e pesquisas recentes mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), o que tem deteriorado o humor dos investidores locais e estrangeiros. Lula tem reiterado que aceita contrair dívidas para impulsionar a economia, enquanto a Faria Lima já elabora cenários para um possível quarto mandato do petista em 2027.

Na terça-feira (11), o JP Morgan rebaixou a recomendação para o Brasil de “overweight” para “neutra”, apontando um cenário macroeconômico mais desafiador. O banco espera mais um corte de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro, seguido de pausa até o segundo trimestre de 2027, diante de piora na atividade econômica e no ciclo de crédito. Perri afirmou que a mudança de postura do JP Morgan contribuiu para a percepção dos investidores estrangeiros, que agora estão mais atentos à questão fiscal, ao crescimento real das despesas e ao peso da dívida bruta.

O Ibovespa registrou, na quinta-feira (13), a oitava queda consecutiva, encerrando o pregão com recuo acumulado de 6,12% nas últimas oito sessões, aos 167 100,95 pontos. Segundo a consultoria Elos Ayta, sequência como essa ocorreu apenas sete vezes desde 2000. A última foi em dez de agosto de 2023, com baixa de 2,95%. Nas demais ocorrências, as perdas foram ainda maiores: 11,87% em 2000, 17,20% em 2001, 11,73% em 2012, 9,47% em 2015 e 9,19% em 2022.

Fonte: Poder Economia

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