Brasil registrou 34,5 bilhões de tentativas de golpes digitais em 1 ano

O Brasil registrou 34,5 bilhões de tentativas de golpes digitais de março de 2025 a fevereiro de 2026, segundo o relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, elaborado pela Global Anti‑Scam Alliance (GASA) e divulgado na sexta‑feira (6 ago 2026).

O estudo estima que cada adulto brasileiro foi alvo, em média, de 202 tentativas de fraude no período analisado.

De acordo com o levantamento, 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro, totalizando prejuízo de R$ 21,2 bilhões, com perda média de R$ 1,3 mil por vítima.

A pesquisa indica que 81% dos adultos no país tiveram contato com alguma tentativa de golpe em 2026, percentual idêntico ao da edição anterior. Desse grupo, 39% interagiram com os criminosos e, entre eles, 25% perderam dinheiro ou forneceram dados que resultaram em prejuízo financeiro.

Entre as vítimas, 34% sofreram perdas mais de uma vez nos 12 meses analisados, configurando o que a GASA denomina revitimização, quando a pessoa é enganada repetidas vezes. A entidade aponta ainda que 42% das vítimas tiveram valores subtraídos em minutos ou horas após o contato com os fraudadores.

As fraudes relacionadas a compras online lideram os relatos, citadas por 22% dos entrevistados. Promessas de dinheiro inesperado e falsas vagas de emprego aparecem empatadas, cada uma mencionada por 17% dos participantes.

Telefonia e aplicativos de mensagens instantâneas concentram 71% dos golpes, sendo o Whats App o canal mais citado (64% das vítimas), seguido por Gmail (32%) e Instagram (22%). O You Tube surge pela primeira vez, mencionado por 6% dos entrevistados.

A dificuldade de identificar fraudes é um obstáculo: 41% dos brasileiros consultados afirmam não confiar na própria capacidade de reconhecer um golpe. Em 2026, 40% das vítimas perceberam o dano somente após serem alertadas por outra pessoa ou instituição, frente a 34% no ano anterior.

O valor total estimado de perdas em 2026 (R$ 21,2 bilhões) ficou abaixo dos R$ 99 bilhões projetados na edição anterior. A GASA atribui a diferença a mudanças metodológicas, como validação dos valores declarados, filtros mais rigorosos e exclusão de valores incompatíveis com o perfil dos respondentes.

Além do impacto econômico, 76% das vítimas relataram efeitos significativos ou moderados no bem‑estar emocional, comparado a 59% em 2025. Na América Latina, 50% das vítimas não souberam a quem recorrer. Entre os motivos, 36% acreditam que a denúncia não faria diferença, 28% apontam a complexidade do processo e 36% citam vergonha ou receio de exposição.

No Brasil, 19% das vítimas denunciaram o golpe à polícia ou aos órgãos competentes. Bancos, meios de pagamento e corretoras de criptomoedas foram avaliados como as instituições mais bem preparadas na prevenção e resposta a golpes, enquanto a polícia ficou em segundo lugar no ranking geral. Operadoras de telecomunicações foram consideradas as menos eficazes.

A recuperação dos valores perdidos permanece limitada: apenas 20% das pessoas que relataram perdas conseguiram reembolso total ou parcial ou recuperaram o dinheiro por meio da organização procurada.

Fonte: Poder Economia

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