Quatro investigados da Operação Rota do Fim foram novamente presos após o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) conceder nova ordem de prisão preventiva. A medida ocorreu depois que o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) recorreu da decisão que havia liberado os suspeitos.
Os quatro permaneciam em liberdade desde 16 de julho, quando a Vara de Delitos de Organizações Criminosas de Rio Branco autorizou que respondessem ao processo cumprindo medidas alternativas, como tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar à noite e restrição de contato entre eles.
O MPAC contestou a liberação, argumentando que ainda há elementos que justificam a prisão preventiva, entre eles a gravidade dos crimes investigados, o papel dos suspeitos na suposta organização criminosa e o risco de prejuízo às investigações caso permanecessem soltos.
Ao analisar o recurso, o TJAC acolheu os argumentos do Ministério Público e determinou o restabelecimento das prisões preventivas, mantendo os investigados sob custódia.
A Operação Rota do Fim foi deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas, no qual empresas do setor pecuário teriam sido usadas para dar aparência legal a recursos ilícitos.
Segundo a PF, o esquema movimentou cerca de R$ 200 milhões, atuando em várias etapas da cadeia pecuária, desde a compra e venda de gado até a operação de frigoríficos, leilões de animais e fornecimento de insumos agropecuários.
A investigação teve origem na apreensão de quase meia tonelada de cocaína em 2022, no município de Poconé (MT), caso que apontou ligação da organização com a facção criminosa Comando Vermelho. Na fase inicial da operação, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em Acre, Rondônia, Mato Grosso, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, além do bloqueio de imóveis, veículos, contas bancárias e rebanhos vinculados aos investigados. A ação contou com a participação da Polícia Federal, da Receita Federal e do Gaeco do Ministério Público do Acre.
