A FIFA divulgou um plano para captar mais de US$ dez bilhões (cerca de R$ 51,3 bilhões) destinados ao desenvolvimento do futebol mundial. A iniciativa prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que receberá investimentos minoritários de terceiros, sem poder de controle.
Para que a FFE seja constituída, as 211 associações filiadas à FIFA precisam aprovar a proposta em votação. Caso seja aceita, a empresa americana de capital de risco Thrive Eternal, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, deverá liderar o consórcio de investidores.
Gianni Infantino, presidente da FIFA, afirmou que o objetivo é garantir que todos os países se beneficiem da riqueza gerada pelo esporte, reforçando que o futebol pertence aos torcedores e não a investidores. A entidade esclareceu que não há discussões sobre Infantino assumir cargo executivo na nova subsidiária.
A UEFA e o primeiro‑ministro britânico Andy Burnham reagiram de forma contundente, alegando que a proposta ultrapassa limites aceitáveis. Burnham escreveu na rede social X que “o futebol não pertence a investidores. Pertence às pessoas que lotam as arquibancadas”.
A Federação Inglesa de Futebol declarou não ter conhecimento prévio dos planos da FIFA, reforçando a surpresa diante da proposta.
A UEFA alertou que a iniciativa pode levar a uma expansão das competições organizadas pela FIFA, aumentando a frequência e o número de participantes, o que poderia ameaçar os torneios europeus que já geram receitas elevadas. Segundo a entidade, a governança do futebol não deve ser tratada como ativo negociável.
Kieran Maguire, especialista em finanças do futebol, avaliou que a medida representa “uma oportunidade para a FIFA gerar ainda mais dinheiro” e que pode intensificar a pressão por uma Copa do Mundo com 64 seleções disputada a cada dois anos, a fim de satisfazer os investidores.
O tema será debatido na próxima reunião do Conselho da FIFA, prevista para o segundo semestre, e também durante a Copa Intercontinental da FIFA, em dezembro. A proposta deverá ser submetida à votação dos 211 membros da entidade no congresso que se realizará em março, no Marrocos.
Embora o aporte único de até US$ 20 milhões (cerca de R$ 102,5 milhões) por associação possa ser modesto para algumas federações, ele representa um valor significativo para muitas outras, gerando dúvidas sobre como clubes, ligas e jogadores reagirão ao eventual novo modelo de financiamento.
Fonte: BBC News Brasil
