Apesar da taxação imposta pelo governo dos Estados Unidos, o Brasil será o menos afetado pelo tarifaço quando se observa o setor exportador dos 20 países que mais vendem para o mercado norte-americano. Essa é a conclusão de Marcos Troyjo, que foi presidente do NBD (Novo Banco de Desenvolvimento), o Banco dos Brics (2020-2023), e ex-secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia (2019-2020) durante parte do governo de Jair Bolsonaro (PL). Troyjo, 60 anos, é economista.
Ele explica: “As tarifas iniciais de 25% e aquelas anunciadas em 23 de julho, de 12,5%, mesmo quando cumulativas para determinados produtos (37,5%), atingem só 15%, em valor, das exportações brasileiras destinadas aos EUA”. Para Troyjo, a exposição brasileira é menor na comparação com outros parceiros comerciais. O Brasil responde por “um pouco mais de 1% de todas as compras dos Estados Unidos”, o que reduz o impacto relativo das medidas.
As tarifas, segundo Troyjo, “incidem sobre um valor relativamente pequeno das nossas exportações”, representando também “um valor muito pequeno enquanto percentual do PIB, ao contrário de outros países muito mais expostos, como México, China, Taiwan, Vietnã e Alemanha”. O impacto estimado para o Brasil é de cerca de US$ seis bilhões em exportações, equivalente a 1,7% das exportações totais brasileiras e 0,22% do PIB nominal do país. Em uma simulação considerando que 15% das exportações desses países fossem afetadas –hipótese considerada conservadora pelo economista–, o impacto seria maior para outros grandes fornecedores.
Eis como ficaria: México – US$ 80 bilhões. Canadá – US$ 57 bilhões. China – US$ 46 bilhões. Taiwan – US$ 30 bilhões. Vietnã – US$ 29 bilhões. Alemanha – US$ 23 bilhões. Ele declara que os valores projetados representam exportações potencialmente atingidas, e não o custo dos impostos. A estimativa é “conservadora”, segundo ele, porque outros grandes exportadores ainda enfrentam outras investigações comerciais.
Se houver novas sobretaxas, a diferença de impacto em relação ao Brasil tende a se ampliar. A seguir, infográficos com os 20 países cujas exportações são as mais representativas para os EUA, em 2025 e no acumulado de 2026 até o mês de maio: Este infográfico acima mostra a concentração das compras externas dos EUA em 2025: 85% das importações vieram de 20 países, somando US$ 3,415 trilhões. O México foi o principal fornecedor, com US$ 534,3 bilhões em vendas, seguido por Canadá e China.
O Brasil ficou na 17ª posição do ranking, com US$ 39,9 bilhões exportados para o mercado norte-americano em 2025. O valor corresponde a 1,2% das importações totais dos EUA. Os dados parciais de 2026 indicam a manutenção da concentração entre os principais fornecedores, como em 2025.
De janeiro a maio deste ano, os 20 maiores exportadores responderam por US$ 1,429 trilhão em vendas aos EUA. O grupo dos cinco líderes concentrou 50,7% das importações norte-americanas de bens. No período, o Brasil permaneceu na 17ª colocação, com US$ 13,9 bilhões exportados aos EUA.
A participação brasileira ficou em cerca de 1% das importações norte-americanas. O PESO DOS EUA Atualmente, os EUA figuram como o 2º maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por 11,1% da corrente de comércio nacional no acumulado de janeiro a junho de 2026. Embora a China lidere isolada com quase 30% de participação, os EUA têm um peso estratégico, sendo o destino de 9,4% das exportações brasileiras e a origem de 13,3% das importações domésticas.
No que diz respeito às tarifas de importação aplicadas pelos parceiros comerciais, o Brasil paga, em média, uma tarifa efetiva de 4,4% para acessar seus principais mercados. Na relação com os norte-americanos, há contraste setorial: enquanto os produtos industriais brasileiros enfrentam uma taxa efetiva de somente 0,5% (com um volume exportado de US$ 32 bilhões), o setor agrícola é muito mais onerado, sofrendo uma taxa de 11,8% sobre um volume de US$ 7,9 bilhões. A diferença expõe a maior proteção tarifária aplicada pelos EUA sobre produtos agrícolas em comparação com bens industriais.
Ao todo, os norte-americanos taxam 373 produtos industriais e 53 produtos agrícolas vindos do Brasil. Leia os números nos infográficos abaixo: Os dados integram o World Tariff Profiles 2026, anuário estatístico publicado em conjunto pela OMC (Organização Mundial do Comércio), pelo ITC (Centro de Comércio Internacional) e pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). O relatório consolida as tarifas aplicadas pelos países em 2025 e o estoque de medidas de defesa comercial –como ações antidumping e contra subsídios.
Não estão contabilizadas medidas adotadas posteriormente, como o tarifaço dos EUA contra o Brasil e outras tarifas anunciadas em 2026, por exemplo.
Fonte: Poder Economia
