A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou nesta quarta-feira a condução diplomática do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que a sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros poderia ter sido evitada.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou a aplicação da tarifa de 25% às exportações brasileiras para o mercado norte-americano, excluindo carne e café. Segundo a Fiesp, a medida reduz a competitividade do Brasil ao atingir o país de forma unilateral, prejudicando cadeias produtivas que dependem do acesso ao maior mercado de bens de alto valor agregado.
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, destacou que os Estados Unidos são o principal destino dos produtos brasileiros de maior valor agregado e classificou a tarifa como um “pedágio” adicional para empresas que já enfrentam carga tributária elevada e juros reais altos.
A federação afirmou que a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução “técnica e pragmática”, citando as audiências públicas realizadas nos EUA ao longo do último ano.
A sobretaxa foi proposta em 1º de junho de 2026, após o USTR concluir a investigação da Seção 301 contra o Brasil, apontando práticas comerciais consideradas injustas, incluindo Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Em 6 e 7 de julho, o USTR promoveu audiências públicas antes da decisão final. O governo brasileiro não enviou representantes para discursar.
Apenas integrantes da Embaixada do Brasil em Washington estiveram presentes como observadores. O senador Flávio Bolsonaro (PL) participou do segundo dia, mas seu depoimento não alterou a posição dos EUA.
Reuniões técnicas entre os dois governos ocorreram ao longo do ano, incluindo cinco encontros de alto nível com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. A última reunião ocorreu em 14 de julho, um dia antes do anúncio da tarifa.
Em 13 de julho, Lula afirmou que não haveria a tarifa, sem esclarecer o motivo. Historicamente, as primeiras tarifas dos EUA foram impostas em 2 de abril de 2025, quando Donald Trump estabeleceu tarifas recíprocas de 10% para 125 países, incluindo o Brasil.
Em novembro de 2025 houve ajustes, incluindo a redução de tarifas em alguns itens e, em fevereiro de 2026, a Suprema Corte declarou ilegais as tarifas globais impostas por Trump. A atual sobretaxa de 25% representa a mais recente escalada nas relações comerciais entre Brasil e EUA.
A Fiesp reafirmou seu compromisso com a diplomacia empresarial e afirmou que continuará trabalhando com parceiros nos EUA para que as tarifas sejam revertidas ou mitigadas mediante a ampliação da lista de isenções.
Fonte: Poder Economia
