João Antonio Pivetta foi solto nesta quarta‑feira (8) após cumprir 18 dias de prisão sob suspeita de ocultação de provas na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, que foi lançada sem cordas durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP).
Pivetta trabalhava para a empresa que organizou o evento e sua função era retirar o equipamento dos participantes depois dos saltos, atuando na parte inferior da ponte. Ele não integrava a equipe de instrutores responsável por lançar as pessoas.
A polícia descartou a hipótese de que ele teria ocultado provas, inclusive o desaparecimento da câmera Go Pro que a vítima usava, e solicitou a revogação da prisão. Em entrevista à EPTV, Pivetta declarou sentir‑se aliviado e agradeceu às equipes de investigação.
“É um sentimento de angústia constante. Um sentimento aterrorizante, até porque a gente não tem notícias de como as coisas estão, o que está acontecendo. Graças a Deus, agora estou mais aliviado, me sinto grato pelas equipes de investigações, que fizeram o trabalho delas, conseguiram investigar tudo e verem que, de fato, eu não tinha nada a ver com aquilo”, afirmou. “Eu estava prestando um serviço. Minha parte era ficar só na parte de baixo da ponte. Foi aterrorizante”, completou.
Gabriel Barros Martins também foi liberado nesta quarta‑feira após a prisão ser revogada. Ele acompanhava a descida dos participantes, realizava bloqueios e desbloqueios do sistema e preparava o equipamento para novos saltos. A polícia descartou que ele tenha influenciado, intencionalmente ou não, a morte de Maria Eduarda.
Nenhum dos dois foi indiciado pela Polícia Civil nem denunciado pelo Ministério Público (MP).
Na terça‑feira (7), o MP denunciou quatro pessoas pela morte da jovem: a organizadora do evento, Evelyne dos Santos Gonçalves, responsável pela empresa sem registro Entre Cordas, e os três instrutores que aparecem no vídeo lançando Maria Eduarda sem cordas – Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves.
Segundo a denúncia, os acusados promoviam saltos de rope jump para cerca de 80 a 100 pessoas por dia, sem estrutura formal de gerenciamento de riscos e sem observar protocolos básicos de segurança, como a conferência da conexão da corda de segurança e a dupla checagem dos equipamentos.
A investigação da Polícia Civil, dividida em dois inquéritos, não localizou a câmera Go Pro fixada ao braço da vítima nem identificou quem a retirou. A organizadora foi denunciada por determinar a localização do equipamento e a exclusão do conteúdo, com o objetivo de dificultar a elucidação dos fatos.
Uma testemunha afirmou que Evelyne “mencionou expressamente” a necessidade de apagar o vídeo do salto. Pelo menos três testemunhas relataram que um homem de cabelo escuro, vestindo uniforme da equipe, retirou a câmera, mas ninguém conseguiu reconhecê‑lo.
Fonte: Terra Brasil
