Os consumidores do Acre devem se preparar para um impacto no bolso nas próximas décadas. Um estudo da Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) aponta que medidas aprovadas pelo Governo Federal e pelo Congresso Nacional vão levar a um aumento nas contas de energia elétrica dos brasileiros até 2050, com o custo adicional sendo diluído nas tarifas de consumidores residuais, comerciais e industriais, excetuando-se os beneficiários da Tarifa Social cadastrados no Cad Único, que permanecem isentos.
De acordo com a FNCE, o aumento decorre de decisões tomadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026, incluindo medidas provisórias, novas leis, leilões de energia, despesas do Tratado de Itaipu e as chamadas “jabutis”, emendas inseridas em projetos de lei sem relação com o tema principal.
Os principais componentes da conta são a contratação de novas usinas, estimada em R$ 515,7 bilhões, dispositivos incluídos na lei do setor, que somam cerca de R$ 197 bilhões, e a prorrogação de incentivos ao setor elétrico, além de acordos entre o governo e empresas da área.
A estimativa de R$ 985 bilhões não inclui impostos como PIS, Cofins e ICMS, nem despesas futuras que ainda dependem de contratação, o que pode elevar ainda mais o impacto final nas tarifas.
No Acre, onde a energia já representa parcela significativa do orçamento familiar, os reajustes previstos ameaçam reduzir o consumo das famílias e comprometer a competitividade do comércio e da indústria local.
A FNCE recomenda uma reforma estrutural ampla a partir de 2027, com revisão das regras de planejamento, operação e comercialização de energia, alertando que a ausência de mudanças pode gerar um agravamento insustentável do sistema elétrico nacional nas próximas décadas.
