Juros altos são o principal obstáculo da economia, afirma Durigan

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a taxa de juros elevada representa o principal gargalo da economia brasileira, dificultando investimentos privados e pressionando a dívida pública. Em entrevista ao jornalista Alexandro Martello, do G1, publicada neste sábado (4), 4.jul.2026, Durigan destacou que o Ministério da Fazenda é o “menos culpado” pela situação.

Segundo o ministro, a alta dos juros “prejudica o investimento privado e a dívida pública”. Ele ressaltou a necessidade de “harmonizar” a estratégia de receitas e despesas com a política monetária, sem apontar culpados.

Durigan descartou a ideia de que o aumento de gastos governamentais ou os estímulos à economia estejam elevando a taxa de juros. “Não estou procurando culpados. O Ministério da Fazenda é o menos culpado por conta da taxa de juros”, declarou.

Ele apontou que o debate fiscal influencia a taxa, mas não resolve o problema, que ele considera uma “resposta fácil”. O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, em 17 de junho, acumulando queda de 0,75 ponto desde março, mas mantendo cautela diante da inflação e das incertezas internacionais.

Ao ser questionado sobre a concessão de linhas de crédito com taxas favorecidas em ano eleitoral, Durigan afirmou que o volume do mercado de crédito – cerca de R$ 600 bilhões por mês – torna irrelevante o impacto de R$ 2 a 30 bilhões em setores específicos. “Essas políticas são ajudas setoriais pontuais e específicas, sem efeito macroeconômico”, disse.

O ministro garantiu que o governo está preparado para ajustar as contas públicas nos próximos anos, se necessário, por meio de contenção de gastos e redução de benefícios fiscais. “O Brasil precisa manter um esforço fiscal grande para limitar o crescimento da dívida”, afirmou.

Durigan também destacou que a preocupação com a inflação é compartilhada pelo Ministério da Fazenda. Ele ressaltou que tudo que for possível fazer para melhorar a situação fiscal e alinhar a política monetária será adotado.

Dados do Tesouro Nacional divulgados em 30 de junho mostraram que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que inclui o governo federal, o INSS e os entes estaduais e municipais, atingiu 81,1% do PIB em maio – o maior patamar em cinco anos, equivalente a cerca de R$ 10,6 trilhões. Esse nível está apenas 0,3 ponto percentual abaixo do pico de 81,4% registrado em 2020, durante a pandemia de Covid-19.

No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida avançou 9,4 pontos percentuais, partindo de 71,7% do PIB quando o governo assumiu. Para conter esse avanço, Durigan defendeu a maior tributação sobre grandes fortunas, a revisão de programas sociais e o corte de benefícios fiscais.

Ele reconheceu que o espaço discricionário tende a diminuir se o crescimento de gastos obrigatórios não for revertido, mas enfatizou a importância de manter o arcabouço fiscal. “É o arcabouço fiscal que nos permite acomodar a trajetória de receita e despesa no país. Ele é sustentável e precisa ser mantido”, concluiu.

Fonte: Poder Economia

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