A baixa produtividade do trabalho no Brasil voltou a alimentar o debate sobre os limites para uma eventual redução da jornada de trabalho no país. Levantamento do FGV Ibre aponta recuo da produtividade por hora trabalhada no primeiro trimestre.
Segundo o pesquisador Fernando de Holanda Barbosa Filho, do FGV Ibre, o baixo crescimento da produtividade nas últimas décadas dificulta aumentos sustentáveis de renda e reduz o espaço para mudanças legais na jornada sem impacto sobre empresas e trabalhadores.
Ele afirma que, em economias mais produtivas, os ganhos por hora trabalhada costumam ser divididos entre aumento salarial e redução gradual da jornada. No Brasil, porém, a produtividade avançou cerca de 0,6% ao ano nas últimas décadas, ritmo considerado insuficiente.
O pesquisador avalia que uma redução imediata da jornada, sem aumento correspondente da produtividade, poderia elevar custos das empresas e provocar efeitos como rotatividade, queda de salários ou substituição de trabalhadores.
Entre os fatores que travam a produtividade brasileira, ele cita burocracia, infraestrutura deficiente, baixa qualificação da mão de obra, sistema tributário complexo e ambiente de negócios pouco favorável.
Para Barbosa Filho, reformas estruturais, melhoria da educação, adoção de tecnologia e redução do chamado custo Brasil são caminhos necessários para viabilizar, no longo prazo, tanto o aumento da renda quanto uma jornada menor de trabalho.
Fonte: CNN Brasil Economia
