O debate sobre o fim da escala 6×1 voltou ao centro das discussões econômicas e trabalhistas no país. Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, a proposta não representa uma solução para o problema da baixa produtividade da economia brasileira.
Em entrevista à CNN Money, Correia afirmou que a produtividade do Brasil equivale atualmente a cerca de 20% da registrada nos Estados Unidos. Segundo ele, esse cenário reduz a capacidade de competição da indústria nacional no mercado internacional.
Embora considere legítima a discussão sobre redução da jornada de trabalho, o dirigente avalia que a proposta em tramitação no Congresso pode elevar os custos de produção sem garantir ganhos efetivos de eficiência.
A proposta prevê uma redução da jornada em duas etapas, com mudanças em curto prazo. Para Correia, o cronograma é incompatível com a velocidade necessária para que os setores produtivos consigam aumentar a produtividade e absorver os impactos da mudança.
Segundo ele, o aumento dos custos pode pressionar preços, afetar a inflação e dificultar a redução das taxas de juros.
No setor da construção civil, a preocupação também envolve a oferta de trabalhadores. De acordo com a CBIC, uma implementação imediata da redução da jornada exigiria a contratação de aproximadamente 288 mil profissionais adicionais para compensar as horas reduzidas.
Correia argumenta que essa mão de obra não está disponível no mercado e que as empresas poderiam ser obrigadas a recorrer ao pagamento de horas extras, ampliando ainda mais os custos operacionais.
Como alternativa, o presidente da entidade defende uma transição gradual de quatro anos, com redução de uma hora por ano. Segundo ele, esse prazo permitiria investimentos em equipamentos, tecnologia e melhorias de produtividade capazes de compensar a diminuição da carga horária.
O dirigente também apontou a burocracia como um dos principais entraves à competitividade do setor. Segundo a CBIC, processos de licenciamento, aprovações e ligações de serviços públicos representam parcela significativa dos custos dos empreendimentos.
Renato Correia ainda alertou que custos trabalhistas mais elevados, somados ao atual cenário de juros altos, podem reduzir a atratividade de investimentos privados em infraestrutura e outros projetos de grande porte.
Fonte: CNN Brasil
